DEMOCRACIA EM VERTIGEM

Por Paulo Castelo Branco*

Desde sempre os personagens políticos atraem escritores e cineastas a buscarem o máximo sobre a vida deles.

No Brasil, Juscelino Kubistchek teve em Ronaldo Costa Couto o mais minucioso dos pesquisadores sobre o presidente. O canal History realizou um documentário sobre a saga da construção de Brasília e os momentos políticos que marcaram a época do mandato de JK.

Documentários e filmes apresentam seus enredos de acordo com o desejo do diretor, criando verdades com o olhar que mais interessa ao roteirista e ao produtor da obra.

Hitler, mesmo quando mostrado cruel e sanguinário, já foi retratado, apesar do racismo, da homofobia e da perseguição aos judeus, como um homem simpático e cordial em momentos familiares, apreciador de artes, ladrão de grandes obras e de vinhos

Cada um conta a história como melhor lhe aprouver.

O documentário de Petra Costa não é diferente. Produziu uma peça cheia de imagens verdadeiras e repleta de fantasias sobre a história dos anos de governo do Partido dos Trabalhadores.

A crítica tem se mostrado, por um lado, como favorável à película, e, por outro, desfavorável. É o conflito que permanece entre nós desde a derrocada de Lula e seus companheiros.

No fundo, a história serve mesmo é para mostrar ao brasileiro e ao mundo o que foi o período começado por Lula e terminado por Dilma.

Cada momento foi transmitido e fixado pelo povo. As cenas das audiências judiciais com os apontados como corruptos e corruptores não necessitam de versões. Estão para sempre na verdade real sobre os acontecimentos que continuam sendo expostos em um documentário simples e objetivo. Qualquer tergiversação sobre os fatos resulta em conversa de botequim.

O homem foi à Lua, mas o seu Zé, na porta de sua casa rés do chão, continua acreditando que não é verdade. Diz que tudo é mentira.

Certa vez, em lançamento de livro sobre a guerrilha do Araguaia, reencontrei um velho amigo que participara de movimento contra a ditadura; foi preso e torturado, mas resistiu. Respeitado historiador, sem pressa, com uma garrafa de vinho à frente, relembramos os tempos de chumbo e os novos tempos. Ao final da conversa, perguntei-lhe sobre a sua presença no evento, respondeu-se secamente: – Historiador, pesquisador e um sem número de outros curiosos fantasiam muito os seus trabalhos; por isso, eu sempre participo de lançamentos para ver amigos, inimigos e fofoqueiros.

Sobre a democracia de Petra, sabe-se que seus pais não viveram no exílio; optaram por viver em Paris e vir ao Brasil cuidar dos seus interesses sempre que desejaram, sem serem molestados. Herdeiros de grandes empreiteiros que, afinal, também participaram das falcatruas instaladas nos governos democráticos.

O telespectador, assistindo ao documentário, além de vertigem, sente náuseas.

Brasília, 16 de julho de 2019.

*Paulo Castelo Branco é advogado, escritor e colunista convidado especial do portal sosbrasilia.com.br

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Uma resposta

  1. O autor pegou leve…
    E deixou de tocar no que pra mim é o mais importante: acima da Petra (ela é só uma peça de um grande tabuleiro) existe todo um esquema de subversão da história em favor de uma narrativa própria da esquerda. É a estratégia de hegemonia cultural proposta por Gramsci. A esquerda está tentando manipular a história através do domínio dos meios de comunicação. Por isso compra revistas (vide a Veja) subornar atores, locutores, repórteres, aparelha os meios de comunicação com os seus, doutrina as novas gerações formando esquerdopatas mentalmente imunizados, patrocina propagandas, desde panfletos a séries de TV e filmes como esse daí… o poderio econômico da esquerda ainda é fortíssimo. Há bilhões ainda escondidos em contas nos países socialistas…
    Sugiro a todos a leitura de Gramsci…
    Vcs vão entender perfeitamente de onde vêm as estratégias perversas do PT, Psol e esquerda…

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