Moedas virtuais: investidores do DF denunciam prejuízos de até R$ 100 mil

Vítimas foram à delegacia após rendimentos serem bloqueados. Plataforma não tem permissão para atuar no Brasil; Polícia Civil investiga.

Por G1 DF e TV Globo

Bitcoin é uma moeda virtual criada em 2010 — Foto: Divulgação

Bitcoin é uma moeda virtual criada em 2010 — Foto: Divulgação

Moradores do Distrito Federal procuraram a Polícia Civil após acumularem uma série de prejuízos em uma plataforma de moedas virtuais. Uma das vítimas contou na delegacia que chegou a investir R$ 100 mil em bitcoins (veja abaixo) e não obteve retorno, conforme prometido.

Com a promessa de lucros que poderiam chegar a 3% ao dia, um grupo de investidores pegou empréstimos para investir na plataforma e alguns, contam, tiveram que vender bens.

Como não há regulamentação pelo Banco Central, o investimento em criptomoedas é considerado de alto risco, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. A empresa VikTraders – responsável pelas transações – é investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

  • G1 tentou contato com a empresa, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O caso é investigado pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos.

Dinheiro bloqueado

Segundo relato de uma das vítimas – que preferiu não se identificar –, no começo, os rendimentos podiam ser sacados em até 72 horas, direto no banco. Mas, em julho deste ano, os problemas começaram, quando a VikTraders passou a bloquear o dinheiro de clientes

Pessoas dizem que foram enganadas por plataforma de moedas virtuais

Pessoas dizem que foram enganadas por plataforma de moedas virtuais

A advogada Naiara Baldanza investiu cerca de R$ 50 mil na compra de moedas virtuais. Foram duas transferências em junho – uma de R$ 40 mil e outra de R$ 10 mil. Ela conta que obteve lucro nos primeiros meses e, depois, teve a conta bloqueada – quando decidiu acionar a Justiça.

“Como as pessoas começavam a lucrar, elas percebiam que o investimento poderia ser viável, e acabavam vendendo carros e imóveis”, disse.

“Tem advogado, médico, juiz, policial.. pessoas de todas as classes sociais envolvidas. Esse tipo de crime é feito de uma forma bem planejada, existem pessoas que são laranjas.”

A plataforma Viktraders não têm autorização da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM) para atuar no mercado nacional. A CVM recebeu denúncia sobre as atividades da empresa e abriu um Processo Administrativo para investigar a companhia e os supostos operadores.

No site, a organização colocou uma nota em que reconhece a lentidão no procedimento de saque. “Isso é por causa de fraude de pessoas ligadas a um ex-funcionário da plataforma”, diz trecho do comunicado. Ainda segundo a nota, os envolvidos serão responsabilizados.

Como funciona

Bitcoin é uma moeda virtual criada em 2010 e, até então, não é regulamentada por autoridades monetárias.

A estimativa de lucros, segundo os clientes, era apresentada aos futuros investidores em reuniões marcadas em hotéis. A plataforma, que não tem CNPJ, funciona como uma espécie de administradora.

Primeiro os investidores eram orientados a comprar uma quantia em moeda virtual e, em seguida, optavam por pacotes que eram cobrados em dólar para gerenciar os lucros. Quanto mais alto era o valor do investimento, mais chances de rendimento.

Os pacotes de moedas variam de U$$ 100 a 4,8 mil dólares. O lucro sobre o valor investido podiam ser sacados diretamente na conta do cliente.

Fonte: G1/DF

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