Santos empata em 1 a 1 com o Grêmio, na Arena, e larga em vantagem na decisão em casa
O jogo de volta das oitavas de final da Libertadores entre Internacional e Boca Juniors, realizado nesta quarta-feira, na Bombonera, comprovou que esse time argentino multicampeão sobrevive hoje mais da tradição de sua camisa gloriosa do que do futebol que pratica. Tanto no jogo de ida, que venceu por 1 a 0 no Beira-Rio. quanto nesse da decisão, que perdeu na Bombonera para o Colorado pelo mesmo placar, o Boca mostrou pouco futebol, nada sequer parecido com aquele time guerreira de anos atrás, que metia medo até mesmo em grandes equipes europeias.
Atuando em casa, embora com estádio vazio, o Boca Juniors jogou todo o primeiro tempo, tentando administrar o magro 1 a 0 que havia conseguido em Porto Alegre, deixando-se dominar pelo Internacional, que mesmo em má fase conseguiu impor-se ao adversário com maior posse de bola, criando situações claras de gol que, se aproveitadas, teriam propiciado ao colorado uma vitória relativamente folgada, que lhe daria a classificação dentro das quatro linhas. Na verdade o Inter não aproveitou nenhuma das várias oportunidades que teve para marcar, pois chegou à vitória no tempo regulamentar com um gol contra de Fabra, chutando contra o patrimônio uma bola cruzada por Moisés na pequena área.
Só depois de sofrer esse gol é que o Boca se deu conta de que, mesmo sem possuir uma equipe à altura de sua camisa, tinha time suficiente para jogar de igual para igual com o visitante, tomando a si as rédeas da partida, mas sem ameaçar a meta defendida por Marcelo Lomba, que só foi exigido em duas defesas difíceis, uma delas num chute de fora da área. Mesmo tendo conseguido recompor-se na partida, o time comandado por Miguel Argel Russo escapou por pouco não sofreu o segundo gol que, se tivesse aconteido, o eliminaria da Libertadores. O Internacional teve chances claras para chegar ao 2 a 0, em jogadas de contra-ataque, organizadas na sua maioria por Patrick, de grande atuação na partida. Mas abusou na arte de desperdiçar oportunidades de gol.
Na decisão por pênaltis, venceu quem errou menos. Marcelo Lomba fez a parte dele, defendendo uma cobrança no canto esquerdo de sua meta, mas os companheiros Lindoso e Peglow chutaram pela linha de fundo, devolvendo ao Boca, “com juros”, a “gentileza” do gol contra que havia “obsequiado” ao Inter para alcançar a vitória no tempo regulamentar. Essa derrota nos pênaltis deve ter mexido com o emocional do técnico Abel Braga, que talvez tenha se arrependido de tirar Thiago Galhardo do time, perdendo o goleador no momento em que tanto precisou dele para converter, quem sabe, um dos gols perdidos pelos dois companheiros, responsável por mais essa eliminação colorada no ano de 2020. No outro jogo da quarta feira, pela Libertadores, vimos dois Grêmios distintintos no empate em 1 a 1 com o Santos, na Arena, que não foi um bom negócio para o time de Renato, já que vai para a decisão das quartas de final, na Vila Belmiro, tendo que sair do 0 a 0 a qualquer preço, para não ser eliminado da competição.
O que se viu no primeiro tempo foi um Grêmio apático, sem criatividade, sendo envolvido pela equipe do Peixe, que abriu o placar numa trapalhada do goleiro Vanderlei e poderia ter feito mais gols se estivesse com a pontaria um pouco mais calibrada.
O técnico Renato Portaluppi só se deu conta de que algo precisaria ser feito. para evitar uma derrota por um placar ainda mais catastrófico, a partir da segunda metade do tempo complementar, quando trocou Maicon por Darlan e Luz Fernando por Ferreirinha, A partir dessas mexidas, o time dono da casa assumiu outra postura em campo e partiu para o tudo ou nada, construindo jogadas ofensivas e se impondo ao alvinegro paulista em todos os setores do gramado. Graças a essa mudança tática e técnica, o tricolor chegou ao empate já nos descontos, com um um gol de pênalti conseguido com o auxílio do VAR, que Diego Souza cobrou com perfeição, estabelecendo a igualdade no placar.
A penalidade foi resultante de uma das boas jogadas de Ferreirinha, que fez pela direita tudo aquilo que Pepê deixou de fazer pela esquerda, em noite de pouca inspiração. Tudo leva a crer que já está passando da hora de Renato entregar a camisa titular ao Ferreirinha, tornando o Grêmio um dos raros times do futebol brasileiro dotados de dois extremas técnicos e velozes no seu sistema ofensivo. A decisão da vaga para a semifinal da Libertadores não vai ser fácil para o Grêmio, mas se contar com a presença de Jean Pyerre, formando o trio de meio-campo com Darlan e Matheus Henrique, e mantiver Ferreirinha no ataque, o tricolor de Portaluppi tem tudo para ignorar a vantagem santista, vencer o jogo e fazer história no velho alçapão da Vila Belmiro.
Fonte: Lino Tavares



