Ano letivo foi iniciado em 8 de março, de forma remota. No entanto, alguns estudantes sem internet ficaram de fora das atividades na primeira semana
Redação SOS Brasília
Questionada sobre a situação, a Secretaria de Educação não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
Mãe de três alunos na rede pública, Giullia Amancio, de 30 anos, conta que foi até a escola no dia 8 de março para pegar as atividades dos filhos em papel, já que a família não tem computador e o único celular é o dela, que trabalha o dia inteiro. No entanto, voltou pra casa de mãos vazias.
Os filhos de Júlia estudam nos Centros de Ensino Fundamental (CEF) 4 e 2, no Guará I. A família mora na Estrutural. Segundo Júlia, que trabalha como auxiliar de limpeza e é mãe solo, a escola orientou que ela aguardasse o contato para quando o material estivesse disponível.
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Estudante usa caderno para estudar — Foto: Reprodução/RPC
A mesma coisa ocorreu com Francisca das Chagas Silva. A filha dela estuda no Centro de Ensino Fundamental São Bartolomeu, em São Sebastião, no 6º ano.
Questionada pelo G1, a Secretaria de Educação afirmou que “a primeira semana foi voltada para o acolhimento dos estudantes e preparação de material” e que “a maioria das escolas entregará o material impresso a partir da segunda semana da volta às aulas”.
‘Esquema delivery’
Em entrevista publicada pelo governo do DF, nas vésperas da volta às aulas, o secretário de Educação, Leandro Cruz, afirmou que em 2021 o material impresso continuaria a ser a solução para quem não tem internet.
“Neste ano, como estamos em um período muito difícil da pandemia, onde for preciso, nós orientamos as coordenações regionais e as escolas a contratarem motoboys para entregar o material impresso na casa do estudante. Ele não deve ser chamado presencialmente à escola ou à coordenação regional de ensino para pegar o material”, disse o secretário.
Outro programa para incluir os estudantes no ambiente virtual foi o fornecimento de internet gratuita. Segundo a pasta, o custo anual estimado é de R$ 46,8 milhões.
No entanto, mesmo com o acesso à internet, algumas famílias sofrem com a falta de equipamentos eletrônicos para se conectar, e o material impresso segue como alternativa.

Aulas presenciais
A discussão sobre os rumos do ensino remoto na rede pública voltou a pautar o Judiciário no início deste ano. Em 1º de março, o Ministério Público do Distrito Federal chegou a solicitar que a Justiça determinasse a volta das aulas presenciais. No entanto, o pedido foi negado.
Na ação, o MPDFT afirmava que a volta deveria ocorrer “de forma escalonada, progressiva e facultativa aos pais e responsáveis, sendo respeitados todos os protocolos de segurança sanitária nos ambientes escolares para impedir a propagação da Covid-19”.
Ao negar o pedido, o juiz Renato Scussel, da Vara da Infância e da Juventude (VIJ-DF), citou que “a situação fática ora vivenciada no âmbito do Distrito Federal, no que se refere a tentativa de contenção da contaminação pelo Covid-19 e suas variantes, permite concluir que a situação é grave com ausência de leitos de internação e unidades de terapia intensiva, tanto na rede pública como na privada”.



