Decisão é do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. Defesa afirma que não vai comentar.
Por G1 DF e TV Globo
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Vista aérea da igreja de onde jovem foi resgatada — Foto: Igreja Adventista Remanescente de Laodiceia/Divulgação
A Justiça do Trabalho do Distrito Federal determinou que a comunidade religiosa Igreja Adventista Remanescente de Laodiceia, no Gama, tome providências para evitar abusos contra pessoas internadas no local.
O local foi alvo de uma operação conjunta entre diversos órgãos, em março deste ano, após denúncias de trabalho escravo. Segundo as acusações, fieis que integravam o grupo viviam em “condição degradante de trabalho e vida” (relembre abaixo).
Ao G1, o advogado Rolland Carvalho, que representa os responsáveis pela seita, disse que não vai comentar o caso em andamento.
Determinação judicial
A decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região é do dia 17 de julho. No documento, o juiz juiz Claudinei da Silva Campos impõe 27 obrigações a serem cumpridas pela seita.
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Chácara no Gama, onde fica a Igreja Adventista Remanescentes de Laodiceia — Foto: TV Globo/Reprodução
Entre as medidas está a proibição de manter trabalhador em condições de trabalho degradante. O magistrado também proibiu a exploração de trabalho infantil e determinou que os responsáveis pela igreja assinem a Carteira de Trabalho dos empregados.
As lista reforça ainda a necessidade de manter o meio ambiente de trabalho seguro, com instalações sanitárias e dormitórios adequados.
Caso haja descumprimento das medidas, a seita terá de pagar multas que variam de um salário-mínimo a R$ 10 mil. O juiz também vai avaliar pedido do Ministério Público do Trabalho, que pede indenização de R$ 2 milhões, a título de dano moral coletivo.
Relembre o caso
Em março, uma operação conjunta entre auditores fiscais do trabalho, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Polícia Civil, Conselho Tutelar e Secretaria de Justiça do DF cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Igreja Adventista Remanescente de Laodiceia, em uma chácara no Gama.
Segundo os investigadores, pelo menos 95 trabalhadores da comunidade religiosa estavam em “condição degradante”. A situação é considerada, por lei, como trabalho análogo ao de escravo. Durante a operação, foram lavrados 50 autos de infração.
A investigação apontou características que configuram o trabalho escravo, como:
- Submissão de empregados a trabalhos forçados
- Sujeição a condições degradantes de trabalho
Em dezembro do ano passado, uma jovem de 18 anos foi resgatada por policiais após ter sido mantida por quatro meses em cárcere privado no local.
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Culto na Igreja Adventista Remanescentes de Laodiceia, no DF, em imagem de arquivo — Foto: Arquivo pessoal
Condições precárias
A operação conjunta interditou alojamentos utilizados por cerca de 400 fiéis. Os auditores constataram que alguns moradores dormiam em ônibus e em caminhões “mal adaptados, sujos e que expunham os indivíduos”.
Segundo relatório, os alojamentos ficavam ao lado de um espaço onde estavam armazenados produtos agrotóxicos. Um parede improvisada de papelão separava os espaços, o que, de acordo com o documento, “permitia que o cheiro dos pesticidas invadisse os dormitórios”.
Testemunhas contaram à polícia que os fieis precisavam pagar para ter acesso a roupas e comida. No local, os agentes encontraram planilhas que registravam os gastos e os débitos de cada pessoa com a igreja. Os documentos foram apreendidos como provas.
Fonte: G1/DF




