Jargão é o linguajar próprio de um grupo profissional.
De chavão, também é conhecido e chamado.
Bordão é palavra ou locução sem regras de combinação.
Gíria é linguagem informal, jocosa e codificada.
Rica em expressões metafóricas, é, por diferentes grupos, adotada.
Frases feitas são pré-fabricadas e para diversas situações, utilizadas.
Redundâncias são repetições desnecessárias. Meras abundâncias…
Por meio de simples história, você os encontrará em sua memória.
Em Araguari, o Gigante das Alterosas – time de futebol –
tinha solidificado a fama de ser o maior campeão local.
Mas, para a segunda divisão, sofreu vexatório rebaixamento.
Algo, então, deveria ser feito, para seu rápido reerguimento.
Toninho Bocarrica, famoso radialista desportivo; sujeito letrado;
curioso pelo saber; leitor contumaz; culto e muito bem preparado;
voluntariou-se, ávido por ajudar.
Mostrou ter muito a acrescentar.
Entendedor das “manhas” do futebol,
seria para o time, luz. Melhor: farol!
Prometeu comemorações à desmotivada torcida,
Já cansada, desacreditada e deveras combalida.
Para fazer-se entender, utilizou-se de futebolístico linguajar,
Para com o elenco e torcedores, claramente se comunicar,
o que proporcionou momentos de profunda reflexão,
deixando a todos do time, no ponto e de prontidão.
Em praça pública, gritou, o que a todos emocionou:
“a hora é agora”! É “Calça de veludo ou bunda de fora”!
O time renasceu. O caminho do gol, reencontrou.
Após belo campeonato, para a final, se classificou.
Bocarrica, no último treino antes do derradeiro clássico,
chamou a todos para um “tête-à-tête”, direto e básico,
deixando um momento de preleção especial,
para seu artilheiro, goleador descomunal.
Chamou o “Zezinho da Sulacap”, importado do Rio de Janeiro,
e passou a ele o que não vou narrar, mas transcrever por inteiro.
Ele disse assim, para dele “prender a atenção”,
“tim-tim por tim-tim”, em “literal transcrição”:
Zezinho, “CB” (sangue bom) carioca, por Minas adotado; nosso “goleador nato”; esperança de vitória; de espetáculo! “Em time que está ganhando, não se mexe”. O que mais te dizer, que sempre “tratou a bola chamando-a de você” e de “meu bem”? Sua experiência nas “quatro linhas” me leva a te pedir: “o show não pode parar”! “Vamos em frente, porque atrás vem gente”!
Sei que você não “disconcorda” que no jogo, quando ele está “a mil por hora”, a “naftalina sobe”, e que, nesse momento, “haja o que hajar”, você tem que “dar tudo de si”, porque “o difícil não é fácil” e “o melhor é sempre simplificar”, sabendo que “é muito difícil fazer o fácil”.
O campo do nosso Maracanã – o Estádio Cel. Lincoln – é muito grande. Portanto, “corra como se você tivesse dois pulmões!” “Tanto na minha vida futebolística quanto na minha vida de ser humano” aprendi que “um jogador tem que ser completo como um pato, que é aquático e gramático”, como você. A torcida, nossa “camisa 12”, “é muito hospitalar”. Mas, às vezes, “não perdoa”. As cobranças doem muito. Mais, até, do que “distrair um dente”. Não se importe. “Força, foco e fé”.
Nosso time, em outros jogos, “à beira do precipício, sabiamente tomou a decisão correta e deu um passo à frente…” Isso mudou tudo. “A derrota faz parte do jogo”, mas quero distância dela. Gosto de tratar sua ocorrência como resultado de duas simples palavras: A-zar!”
Mesmo que você não tenha “assinado com o clube”, é certo que “tudo está acertado bocalmente”. Lembre-se de que Araguari é uma “cidade universitária, o que faz dela muito facultativa”, e de que, como incentivo, “seu salário é pago semanalmente, de quinze em quinze dias” e “em dia”. Todos te querem bem, especialmente nosso médico. Prova disso “é que ele te proibiu de comer bicarbonato” e que, no jogo passado, quando você sentiu uma “fisgada na pantuvilha” direita, tentando cabecear bola impossível, ele te ensinou que “só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha…”. Ou seja, para concluir uma jogada não é necessário fazer nada de especial: apenas “chute com o pé que estiver mais à mão…”
Não se precipite nos lances. “A pressa é inimiga da perfeição”. Vou te contar duas inspiradoras histórias de jogadores da Seleção. Um deles disse que certa vez “foi fondo… foi fondo… foi fondo… e chutou p’ro gol”, sem precipitação, no momento oportuno, fazendo o gol. Já outro disse que, ao perceber que a bola estava inalcançável, que desacelerou porque “viu a bola indo, indo, indo…” até que “ela iu” direto p’ra fora, o que o preservou fisicamente para uma nova jogada. Então, use a cabeça, como Sócrates, que foi um grande exemplo de inteligência dentro de campo. Por isso, o presidente do Corinthians sempre o tratou como “invendável, inegociável e imprestável.”
Não deixe que nada te abale nas quatro linhas. Tenha em mente que “depois da tempestade vem a ambulância”; que “não importa a problemática, se você tiver a solucionática” e que “a esperança é a última que morre” (ainda bem que minha sogra se chama Cleusa). Foque no presente. Ao jogar no Gigante das Alterosas “seu coração passou a ter só uma cor: é alvi-verde!”
Você é um “ponto fora da curva”, com “pilha nova” e não tem “pezinho de moça”. Em campo e em meio a “rifadores de bola”, “pés de chumbo”, “pernas de pau”, “pernetas” e “pipoqueiros”, “passe manteiga na bola”, “chame-a de você”, “dê um trato na criança”, “faça ouvidos de mercador” para os “papagaios” e dê “passes açucarados”.
“Valorize a posse de bola” e, quando der, “ripa na chulipa” e “pimba na gorduchinha”! “Meta uma trivela de três dedos” p´ra ver se consegue “sacudir o filó”. “Quem tá na chuva é p’ra se molhar”.
Zezinho, domingo “o sol brilhará sobre nós, novamente”. Nosso presidente já “pediu p´ra Antártica enviar umas brahmas” p’ra gente “encher a cara” e fechar o campeonato com “chave de ouro”!
“Estamos conversados?”. Então: Tenho o dito! “F.O.I.”, Fui!
Ah! Em tempo: se a gente perder, não desanime. Saiba que “dias melhores virão”; que “nunca é tarde p’ra ser feliz” e que “entre mortos e feridos, todos se salvarão”. Seja qual for o resultado, à noite quero ver você, o Laulau e o Mosquito, no Karaokê, “fazendo uma dupla sertaneja”. De novo: “foco, força e fé”! “Sangue, suor e lágrimas”!
POR FLÁVIO NORONHA



