Deflação persistente

Por: Renato Riella

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto foi negativo (-0,36%), no segundo mês consecutivo de deflação. Em julho, a variação havia sido de -0,68%.
Com a perspectiva de queda nos alimentos e novas reduções nos preços dos combustíveis, especialistas econômicos indicam que poderemos ter, em setembro, o terceiro mês de deflação. Está projetado que a inflação pode fechar o ano na faixa dos 6%.

Nos últimos 12 meses, a inflação oficial registra alta de 8,73%, abaixo dos 10,07% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
O resultado de agosto foi influenciado principalmente pela queda no grupo dos Transportes (-3,37%). O grupo Comunicação (-1,10%) também recuou.

No lado das altas, o destaque foi Saúde e Cuidados Pessoais (1,31%), que contribuiu com 0,17 p.p. em agosto. Já Alimentação e Bebidas (0,24%) desacelerou em relação a julho (1,30%).
O resultado dos Transportes (-3,37%) foi influenciado mais uma vez pela queda no preço dos combustíveis (-10,82%).

VEÍCULOS – Produção de veículos aumentou 8,7% em agosto no Brasil na comparação com julho. Alcançou 238 mil unidades, ante 219 mil do mês anterior. Na comparação com agosto do ano passado, a expansão foi de 43,9%.

No acumulado do ano, a produção chegou a 1.478,6 mil unidades, 4,7% a mais do que o registrado no mesmo período de 2021. Os dados são da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Em agosto, pela primeira vez em um ano e meio, o setor conseguiu operar sem nenhuma fábrica completamente parada. O fluxo de semicondutores finalmente começa a melhorar.
As vendas de veículos novos tiveram elevação de 14,6% em agosto na comparação com julho.

No oitavo mês do ano, foram licenciados no Brasil 208,6 mil veículos, ante 182 mil de julho.
Exportações de veículos tiveram alta de 11,7% em agosto, com a comercialização de 46,8 mil veículos, contra as 41,9 mil de julho. Na comparação com agosto de 2021, houve aumento de 58,9% nas exportações.

CONSTRUÇÃO – Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) referente a agosto, divulgado pelo IBGE, foi de 0,58%, caindo 0,90 ponto percentual em relação à taxa de julho (1,48%).

O acumulado nos últimos doze meses ficou em 13,61%. De janeiro a agosto, o acumulado fechou em 9,74%.
Observa-se, nos últimos três meses, desaceleração nas duas parcelas do índice: tanto no lado dos materiais quanto na mão de obra.

VOOS – Número de chegadas de voos internacionais ao Brasil, em agosto, foi o maior registrado desde o início da pandemia.
Segundo a Embratur, no mês passado, houve 4.003 desembarques, o que representa 80,71% da capacidade demonstrada em 2019. Comparado a agosto do ano passado, foi registrado aumento de 232,35% nas conectividades internacionais.

Expectativa da Embratur é recuperar 100% da conectividade ainda em 2022. Há previsão de 134 novos voos e frequências adicionais até fevereiro de 2023.

INDÚSTRIA – Produção industrial brasileira subiu 0,6% na passagem de junho para julho. Avançou em quatro dos 15 locais analisados, segundo o IBGE.
Houve elevações no Pará (4,7%), Mato Grosso (3,7%), Santa Catarina (1,9%) e Rio de Janeiro (0,7%).

O maior parque industrial do país, que é o estado de São Paulo, caiu 0,6% em relação a junho.

ELEIÇÃO – Nova pesquisa Ipespe/Abrapel para as eleições presidenciais de 2022 traz o ex-presidente Lula (PT) à frente, com 44% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo Presidente Bolsonaro (PL), com 36%.

Bolsonaro subiu um ponto percentual. Ciro Gomes (PDT) aparece com 8% e Simone Tebet (MDB) com 5%.

PISO – Na votação do Supremo Tribunal Federal (STF), já foram registrados cinco votos pela suspensão do piso salarial para os profissionais de enfermagem e dois contra (neste último caso, ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques).

A tendência clara é que o projeto seja rejeitado. Será um enfrentamento raro ao Congresso Nacional, que propôs esta lei.
E certamente vai provocar grande reação das categorias beneficiadas, com greves já anunciadas.

Além disso, existe tendência de sanção da lei pelo Presidente Bolsonaro.
É assunto que deve ser discutido depois da decisão do STF, em busca de solução conciliatória.

RAINHA – Presidente Bolsonaro confirmou que irá à Inglaterra, junto com a Primeira Dama Michelle, para participar do funeral da Rainha Elizabeth, marcado para dia 19.
Hoje de manhã, ele se reúne com o ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, para discutir a viagem.

No dia seguinte ao funeral (20), Bolsonaro discursará em Nova York (EUA), na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

GUERRA – Ucrânia desligou, por questões de segurança, o último dos seis reatores que ainda estava em operação na usina nuclear de Zaporizhzhia, atualmente ocupada por tropas russas.

Com isso, a planta foi desconectada da rede elétrica e deixa de gerar eletricidade.
Esta maior usina nuclear da Europa foi tomada por forças russas no início da guerra.

FGTS – A partir do próximo ano, o trabalhador brasileiro poderá usar os depósitos futuros no FGTS para a compra de casas populares.
Governo Federal publicou portaria que autoriza o uso desses recursos para pagar prestações do Programa Casa Verde e Amarela.

As instituições financeiras terão 120 dias para se adaptar à nova regra de contratação e só começarão a oferecer esse tipo de contrato em fevereiro de 2023. A portaria regulamentou a Lei 14.438.
Famílias com renda mensal bruta de até R$ 4,4 mil poderão recorrer ao mecanismo.

STF – Ministra Rosa Weber assume hoje, às 17h, a Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Agenda não confirma presença do Presidente Bolsonaro.

ECONOMIA – Dólar fechou na sexta-feira (9) a R$ 5,148, com queda de 1,13%.
Em 2022, a moeda norte-americana acumula recuo de 7,67%.

Índice Ibovespa fechou aos 112.300 pontos, com alta de 2,17%.
Por RENATO RIELLA

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