Diana Leiko
No Dia Internacional da Mulher, ecoa um grito ancestral, um clamor por justiça e igualdade. Mas, para que a mudança aconteça, precisamos desvendar as sombras do machismo, da misoginia e do sexismo, fantasmas que ainda assombram nossos dias. Não vejo esse dia como celebração, mas como reflexão. Não existe romantismo.
O machismo, essa teia invisível que aprisiona, insiste em colocar o homem em um pedestal, enquanto a mulher é relegada a um papel secundário. Ele se manifesta no colega que interrompe suas ideias, no parceiro que controla seus passos, no reforço do estereótipo de que as mulheres são “pegadoras de clientes”, reduzindo-as a objetos de desejo e desconsiderando sua capacidade profissional (já vivi isso na pele).
Como disse Simone de Beauvoir, “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. Ouvi isso, recentemente, no Curso de Verão – Educação em Direitos Humanos, da UFMG. E essa construção social não nos obriga a aceitar a submissão
A misoginia, o ódio que se esconde sob o véu da “piada”, do comentário “inocente”, revela-se nos xingamentos online, nas ameaças de violência, no feminicídio. É a aversão que se transforma em punição, que nos faz sentir menos, que nos silencia. Como Audre Lorde nos ensinou, “o silêncio não me protege”. E por isso, erguemos nossas vozes!
O sexismo, a discriminação que se infiltra nas leis, nas organizações, nas escolas, perpetua a desigualdade. É a empresa que paga menos, o professor que ignora as contribuições de alunas, a falta de representatividade nos espaços de poder. É a barreira invisível que impede que alcancemos nosso pleno potencial.
Mas não nos calaremos. Não nos renderemos. Fortaleceremos a rede de apoio, educando e empoderando. Como Angela Davis nos lembra, “a luta contra o machismo está intrinsecamente ligada a outras formas de opressão”. E não seremos cúmplices da nossa própria subjugação.
Neste Dia da Mulher, que possamos construir um mundo onde a igualdade não seja apenas uma palavra, mas uma realidade vivida por todas as mulheres. Felizmente, faço parte de uma agência que tem muitas mulheres em postos de liderança, e eu sou uma delas. Que isso seja regra em todas as empresas.
“Eu não desejo que mulheres tenham poder sobre os homens; mas sobre si mesmas“.
Mary Wollstonecraft



