Tarifaço de Trump poupa Brasil

Por: Redação SOS

Como previsto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem um “tarifaço” global sobre impostos de importação, no chamado “Dia de Libertação”.

Foi anunciada taxa de 10% para os produtos brasileiros, a mais baixa entre os 50 países atingidos, abrangendo as vendas da Argentina no mesmo percentual. Foi levado em conta que EUA têm superávit sobre o Brasil no comércio entre os dois países.

 

Trump prometeu implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos, mas disse que passará a negociar esta relação.

Anunciou tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã. Confirmou ainda taxa de 25% sobre todos os veículos importados, independente de país.

 

Na Casa Branca, Trump disse que a aplicação das tarifas aos outros países “é uma medida gentil” que tornará os “Estados Unidos grande novamente”. As tarifas recíprocas serão de ao menos metade da alíquota cobrada pelos outros países, com uma taxa mínima de 10%.

 

Rússia não foi alvo do tarifaço, porque o comércio entre os dois países praticamente não existe mais, após a guerra da Ucrânia.

 

TARIFAS ANUNCIADAS – Veja algumas das tarifas anunciadas por Trump:

 

País Taxa

China 34%

União Europeia 20%

Vietnã 46%

Taiwan 32%

Japão 24%

Coreia do Sul 25%

Tailândia 36%

Suíça 31%

Indonésia 32%

Reino Unido 10%

África do Sul 30%

Brasil 10%

Bangladesh 37%

Singapura 10%

Israel 17%

Filipinas 17%

Chile 10%

Austrália 10%

Paquistão 29%

Turquia 10%

Sri Lanka 44%

Colômbia 10%

 

OUTROS PRODUTOS 

EUA advertem que tarifas recíprocas não serão adicionadas ao aço, alumínio, carros e autopeças, que já foram alvo de outras taxas recentes. Desde 12 de março, entrou em vigor taxa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio. Trump havia anunciado taxa de 25% para carros e autopeças anteriormente.

 

Entre os bens não enquadrados na medida anunciada ontem estão artigos de cobre, produtos farmacêuticos, semicondutores e madeira serrada. Energia e minerais especiais não disponíveis nos EUA, barras de ouro e prata e outros artigos incluídos na Seção 232 também ficam de fora das tarifas recíprocas.

 

Para o Canadá e o México, as ordens existentes sobre fentanil/migração permanecem em vigor.

 

REAÇÕES DOS GRANDES

China e União Europeia reagiram com dureza contra os EUA, classificando a iniciativa do tarifaço como “unilateral”, “autodestrutiva” e uma ameaça direta à estabilidade econômica global. Prometeram respostas à altura, alimentando temores de uma nova escalada na guerra comercial.

 

Pequim fará retaliação firme às tarifas americanas, que atingem agora 54% sobre os produtos chineses, somando-se aos 20% impostos no início do ano.

“A medida ignora os interesses equilibrados alcançados nas negociações multilaterais ao longo dos anos”, declarou o Ministério do Comércio da China.

 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco responderá de forma unificada. “Se você atinge um de nós, atinge todos nós”, declarou. Descreveu as tarifas como um “golpe severo à economia global” e disse que a UE está finalizando um pacote de retaliação de até 26 bilhões de euros (R$ 162 bilhões) em tarifas sobre produtos americanos, previsto para meados de abril.

 

Banco Central Europeu estima que o impacto das tarifas possa reduzir entre 0,3 e 0,5 ponto percentual o crescimento da zona do euro.

 

CÂMARA TENTA REAGIR  

Superando a obstrução do plenário feita pelo PL e outros partidos, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto, oriundo do Senado, que permite ao Governo Federal adotar contramedidas contra países ou blocos econômicos que restringem exportações brasileiras.

 

Na prática, tenta responder ao tarifaço de Trump, que taxou o Brasil em apenas 10% e, relativamente, frustrou o projeto do Congresso.

Vale ressaltar, porém, que as tarifas anteriores impostas ao aço e alumínio vendidos aos EUA permanecem em 25%.

 

REVISTA EM PRESÍDIO

Supremo Tribunal Federal (STF) gerou ontem grave limitação administrativa aos presídios brasileiros, definindo como “inadmissível a revista vexatória” nas penitenciárias do Brasil.

 

Prevaleceu no STF entendimento de que provas eventualmente obtidas por meio do procedimento são ilícitas, sem levar em conta a necessidade de ação preventiva para coibir a entrada de armas e drogas nas prisões.

As revistas devem acontecer apenas quando o visitante permitir e se este possuir indício robusto de ameaça.

 

As unidades federativas terão 24 meses para instalar scanners corporais, esteiras de raio-x e portais detectores de metais nas prisões. Na grande parte do Brasil esta exigência será impossível de atender, por motivos diversos.

 

INDÚSTRIA EM QUEDA – Produção industrial brasileira caiu 0,1% na passagem de janeiro para fevereiro. Em 12 meses, acumula expansão de 2,6%, segundo o IBGE.

É o quinto mês seguido sem crescimento, com perda acumulada de 1,3% nesse período.

 

Essa perda de dinamismo da indústria tem relação com a redução dos níveis de confiança das famílias e dos empresários, explicada, em grande parte, pelo aperto na política monetária (com o aumento das taxas de juros a partir de setembro de 2024), a depreciação cambial (pressionando os custos de produção) e a alta da inflação (especialmente a de alimentos, o que impacta na renda disponível das famílias)”, explica a área técnica do IBGE.

 

DIA DO AUTISMO – Ontem, Ministério da Educação registrou o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o Censo Escolar de 2023, há 636.202 estudantes autistas no Brasil, sendo que 95,4% estão matriculados nas escolas em classes comuns.

 

BOLSONARO – Petistas de péssima estratégia pediram no Supremo Tribunal Federal a prisão imediata de Jair Bolsonaro, para que este deixasse de participar de manifestações de protesto.

 

Atendendo à resposta da Procuradoria Geral da República, Moraes negou a prisão – e gerou mais uma pauta positiva a favor do ex-presidente.

 

CHILE – Presidente do Chile, Gabriel Boric, realizará visita oficial ao Brasil entre os dias 22 e 23 deste mês. Deve conversar sobre as obras para a rota terrestre que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico na América do Sul.

A rota “bioceânica de Capricórnio” sai dos portos brasileiros de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Itajaí (SC), no Atlântico, cruza o Paraguai e a Argentina e leva aos portos chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta, no Pacífico.

Boric deve se encontrar com o presidente Lula no dia 22.

 

CELAC – Na quarta-feira (9), Presidente Lula participa da Cúpula de Chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que será realizada em Tegucigalpa, capital de Honduras.

EUA estarão em destaque, não só pelo tarifaço, mas também pela política migratória.

 

VOLTA POR CIMA – Presidente Lula participa hoje, 10h, do evento “O Brasil Dando a Volta Por Cima”, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília.

 

É uma tentativa do secretário de Comunicação Social, Sidônio Portela, para tentar conter a queda consistente do Governo Federal nas pesquisas de opinião, com grande desgaste para o próprio Presidente Lula.

 

Sidônio pretende apresentar realizações dos primeiros dois anos da atual administração, com a participação de ministros, parlamentares, autoridades e integrantes da sociedade civil.

 

ECONOMIA – Índice Bovespa, da Bolsa de Valores, fechou ontem em 131.190 pontos, com alta de 0,03%.

MOEDAS – FONTE: BC

Dólar Comercial: R$ 5,69 (+0,27%)

Dólar Turismo: R$ 5,92 (+0,23%)

Euro Comercial: R$ 6,18 (+0,83%)

Euro Turismo: R$ 6,44 (+0,63%)

Bitcoin: R$ 485.573 (+0,19%)

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