Dr. Wanderley é aluno mais velho em turma de programadores. Ele estuda criação de aplicativos.
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Após 48 anos atuando como cirurgião, Wanderley Fernandes, com 68 anos de idade, é o aluno mais velho da turma de pós-graduandos em desenvolvimento de aplicativos para celular em uma faculdade particular de Brasília. O interesse pela tecnologia, segundo ele, é movido pelo desejo de “disseminar o conhecimento” adquirido no consultório, na rede pública do DF.
“Doutor” Wanderley planejou a volta para a sala de aula enquanto esperava ansioso pelo desenvolvimento de um software [programa] idealizado por ele. O médico explica que a inquietação se deu porque as pessoas contratadas para criar o aplicativo “estavam demorando demais”.
“Na minha vida, sempre que eu preciso de alguma coisa assim, que eu dependa muito dos outros, eu procuro aprender. É como se fosse uma libertação, uma autonomia.”
A ideia do cirurgião é se preparar para os próximos projetos com aplicativos e ampliar os estudos, sem desconsiderar as particularidades da idade, mas também sem criar obstáculos.
“Eu não vou ter a agilidade de um jovem, dos meus colegas de sala. Eu aprendo lentamente. Mas pelo menos [estudando] eu consigo coordenar um fenômeno, uma funcionalidade”, explica.
Estudando a mente
O aplicativo já lançado pelo cirurgião, EVA.org, mede gratuitamente o risco da pessoa se envolver em um acidente considerando a saúde mental. A ferramenta foi desenvolvida com base em questionário feito por Wanderley Fernandes aos seus pacientes no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).
Segundo ele, foi justamente a sua idade avançada o gatilho para se aproximar da área.
“Quando você fica velho, tem dois caminhos: ou procura a religiosidade para se aproximar de Deus, ou procura a psicanálise para se aproximar de si mesmo. A minha opção foi ir para a psicanálise”.”
Atuando na emergência do hospital público, o cirurgião fez as mesmas perguntas a 253 pacientes e identificou, nas respostas, coisas em comum entre eles que podem ter influenciado os acidentes que sofreram.
Com base no levantamento, e com a ajuda de estatísticos, Wanderley desenvolveu o Índice Risco de Acidentes (IRA), e encontrou no aplicativo de celular uma forma de divulgar a pesquisa. “Eu vi aquilo e não podia ficar só comigo. Eu tinha que disseminar. As pessoas precisam saber que há alguma coisa que pode levá-las a um acidente”, afirma.
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A ideia então foi disponibilizar, em um aplicativo de celular, uma espécie de teste que analisa as tendências pessoais para o risco de acidentes.
“Via de regra, as pessoas acham que provocam agressões aos outros, mas, não. Às vezes é contra nós mesmos.”
Para o cirurgião, a ferramenta pode trazer impactos positivos de prevenção .”Se as pessoas responderem sinceramente ao IRA, é capaz de reduzirmos o número de acidentes pessoais e de trabalho, só pela precaução. Esse é o interesse”, afirma.
Doutor e youtuber
Além de fazer parte da turma de programadores, Wanderley também é youtuber, e edita os próprios vídeos. Questionado sobre o que o torna familiarizado com os instrumentos desenvolvidos pelas novas gerações, ele atribui isso à carreira como médico, na área de oncologia – que cuida do tratamento de câncer..
“Quem acompanha isso está muito próximo do avanço tecnológico de outras áreas. Está muito apto a receber a evolução de outras áreas, por exemplo, nos canais no Youtube”, justifica.
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Conviver com os aplicativos, para ele, não é nada além de uma naturalidade. O médico garante que a familiaridade com a tecnologia não se diferencia da mesma que tem as duas filhas e os dois netos.
“Tudo meu hoje está no celular. Eu faço tudo! [Acesso] Banco, procuro filme, assisto filmes. Eu tenho a impressão de que a medicina vai caminhar para isso também”.”
O médico e estudante destaca que os colegas de sala ajudam nas tarefas acadêmicas, mas também ensinam lições daquelas de levar para a vida.
“São jovens e extremamente esperançosos. De um futuro melhor. Com 68 anos, eu deveria estar mais calmo, talvez. Mais acomodado, talvez. Mas não… isso me mobiliza muito”.
Fonte:Carolina Cruz, G1 DF



