Lançamento de caderno com propostas para fortalecer políticas públicas

Por: Redação SOS Brasília
Ensaio fotográfico Maracatu Boiadeiro Boi Brilhante, Parque vivencial do Paranoá-DF, 26/07/2025, foto: Myke Sena

Praça dos Orixás recebe lançamento de caderno com propostas para fortalecer políticas públicas voltadas aos povos tradicionais de terreiro

Documento será entregue a candidatos do Distrito Federal e marca mais uma edição do Circuito Praça Afro-Candanga, que une cultura, cidadania e participação social

Muito além de um espaço de manifestações culturais, a Praça dos Orixás, em Brasília, será palco de um importante momento de diálogo entre sociedade civil e poder público. Neste domingo (2), durante mais uma edição do Circuito Praça Afro-Candanga, será lançado o Caderno de Propostas para os Povos Tradicionais de Terreiro do Distrito Federal e Entorno, documento que reúne sugestões de políticas públicas elaboradas coletivamente por organizações representativas das comunidades de matriz africana.

A iniciativa busca ampliar a presença das demandas dessas comunidades no debate público e contribuir para que candidatas e candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo do Distrito Federal conheçam propostas voltadas ao fortalecimento dos direitos, da cultura e da cidadania dos povos tradicionais de terreiro.

Um documento construído por quem vive a realidade dos territórios

O caderno nasce do diálogo entre entidades que atuam diariamente na defesa das tradições afro-brasileiras e na promoção dos direitos das comunidades de terreiro.

Participaram da construção do documento a Associação das Tradições Culturais e Sociais Afro-Brasileiras e Ameríndias do Estado de Goiás (Atracar), a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), o Coletivo das Yás do DF e Entorno, o Fórum Religioso Permanente Afro-Brasileiro de Brasília e Entorno (Foafro) e o Instituto Rosa dos Ventos.

As propostas contemplam áreas consideradas essenciais para a garantia de direitos, como:

  • Saúde;
  • Educação;
  • Habitação;
  • Direitos Humanos;
  • Segurança Pública;
  • Preservação dos territórios tradicionais;
  • Valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro.

A expectativa é que o material sirva como instrumento de diálogo entre as comunidades e os futuros representantes políticos do Distrito Federal.

Segundo Mãe Baiana, coordenadora do Coletivo das Yás, o documento representa um importante passo para fortalecer a participação dessas comunidades na construção das políticas públicas.

“A construção deste caderno representa um importante exercício de diálogo e articulação entre organizações que atuam diariamente na defesa dos povos tradicionais de terreiro. Mais do que registrar demandas, o documento também é uma forma de marcar espaço nos debates públicos relevantes. Falar dos povos de terreiro e desses territórios sagrados é falar, sobretudo, de cidadania.”

Cultura, memória e participação social caminham juntas

O lançamento integra a programação do Circuito Praça Afro-Candanga, projeto realizado pelo Instituto Rosa dos Ventos em parceria com a Fundação Banco do Brasil.

Realizado sempre no primeiro domingo de cada mês, o circuito transforma a Praça dos Orixás em um espaço permanente de valorização da cultura afro-brasileira, reunindo manifestações artísticas, debates, rodas de conversa e ações voltadas ao fortalecimento das comunidades tradicionais.

Nesta edição, as atividades começam às 10h com o Cortejo das Yabás, acompanhado pelo tradicional Maracatu Boi Brilhante, em celebração ao Dia Nacional do Maracatu, comemorado em 1º de agosto.

Após o lançamento do caderno, o público poderá acompanhar um encontro dedicado à construção do Atlas dos Espaços Sagrados de Matriz Africana do DF e Entorno, iniciativa que pretende mapear, documentar e preservar os territórios religiosos e culturais das comunidades tradicionais da região.

De acordo com Mariana Regis, coordenadora do projeto, o atlas será alimentado de forma colaborativa pela própria comunidade, tornando-se uma importante ferramenta para subsidiar pesquisas, preservar a memória e apoiar a formulação de políticas públicas.

O encerramento da programação será marcado por uma roda aberta de capoeira conduzida pelo Bando Matilha, em homenagem ao Dia do Capoeirista, celebrado em 3 de agosto, reforçando a capoeira como patrimônio cultural brasileiro e símbolo de resistência, ancestralidade e identidade.

Política pública também se constrói com escuta

Mais do que apresentar reivindicações, o Caderno de Propostas reafirma a importância de incluir as comunidades tradicionais nos processos de formulação das políticas públicas.

Para Stéffanie Oliveira, presidente do Instituto Rosa dos Ventos, discutir os povos de terreiro significa abordar diferentes dimensões da vida em sociedade.

“O Circuito Praça Afro-Candanga é um grande encontro, uma grande mobilização. Falar de culturas tradicionais de terreiro é falar de política. É falar de saúde, educação, meio ambiente, cultura e justiça, porque nossas tradições nascem dessa construção no cotidiano nos territórios, e é necessário que essas vozes sejam ouvidas.”

Ao reunir representantes comunitários, pesquisadores, artistas e o público em geral, o evento fortalece o diálogo democrático e amplia a visibilidade de um patrimônio cultural que faz parte da história e da identidade do Distrito Federal.

Serviço

Circuito Praça Afro-Candanga

Data: Domingo, 2 de agosto

Horário: A partir das 10h

Local: Praça dos Orixás – Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Brasília (DF)

Entrada: Gratuita

Programação

  • 10h – Cortejo das Yabás com participação do Maracatu Boi Brilhante
  • 11h – Lançamento do Caderno de Propostas para os Povos Tradicionais de Terreiro do DF e Entorno
  • 12h – Debate sobre a construção do Atlas dos Espaços Sagrados de Matriz Africana do DF e Entorno
  • 12h30 – Roda de Capoeira com o Bando Matilha

Mais do que um evento cultural, o Circuito Praça Afro-Candanga reafirma a importância da participação social, da valorização das tradições afro-brasileiras e da construção coletiva de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade, do respeito à diversidade e da preservação da memória cultural.

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