No Dia Nacional dos Profissionais da Educação, especialistas destacam que a IA amplia a inovação nas salas de aula, otimiza o trabalho docente e prepara estudantes para um mercado cada vez mais tecnológico
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa do futuro para se tornar uma realidade dentro das salas de aula brasileiras. Seja no planejamento de aulas, na criação de atividades ou na personalização do ensino, a tecnologia vem revolucionando a forma de ensinar e aprender. Mas, ao contrário do receio de muitos, especialistas afirmam que essa transformação não diminui a importância dos professores — pelo contrário, torna sua atuação ainda mais estratégica.
No Dia Nacional dos Profissionais da Educação, celebrado em 6 de agosto, o debate sobre o uso da IA ganha ainda mais relevância. Uma pesquisa do Observatório Fundação Itaú, realizada em parceria com a Equidade.Info no fim de 2025, revela que 79% dos professores brasileiros já utilizam ferramentas de inteligência artificial, enquanto 83% acreditam que a tecnologia pode ser empregada como recurso pedagógico.
Os números demonstram que a educação brasileira já vive uma nova fase, marcada pela integração entre inovação tecnológica e prática docente.
A tecnologia assume tarefas repetitivas e abre espaço para o que realmente importa
Durante décadas, boa parte da rotina dos professores foi consumida por atividades burocráticas, como elaboração de planos de aula, produção de exercícios e organização de conteúdos.
Com a chegada da inteligência artificial, muitas dessas tarefas passaram a ser executadas de forma muito mais rápida.
Segundo a professora de Pedagogia da UniCesumar, Cyntia Gomes, esse ganho de produtividade permite que os educadores concentrem esforços naquilo que nenhuma máquina consegue substituir.
“O uso da IA trouxe mais agilidade para tarefas que antes demandavam muito tempo aos docentes. Essa utilização permite que os profissionais dediquem mais tempo ao que realmente transforma a educação: acompanhar a aprendizagem dos estudantes, promover intervenções pedagógicas, fortalecer o trabalho colaborativo e desenvolver práticas mais significativas.”
Na prática, ferramentas de IA já auxiliam professores na criação de planos de aula, elaboração de avaliações, adaptação de materiais para diferentes perfis de aprendizagem e desenvolvimento de atividades com variados níveis de dificuldade.
Inteligência artificial não substitui o professor
Embora o avanço da IA desperte discussões sobre o futuro da educação, especialistas descartam a possibilidade de substituição dos educadores.
Isso porque ensinar vai muito além da transmissão de conteúdo.
O professor interpreta emoções, compreende contextos sociais, identifica dificuldades individuais, desenvolve vínculos afetivos e promove experiências de aprendizagem que nenhuma inteligência artificial é capaz de reproduzir.
“A IA é um recurso rico para auxiliar a ação prática do professor, mas deve ser dominada por ele, considerando seus objetivos pedagógicos”, destaca Cyntia Gomes.
A especialista ressalta que cabe ao educador decidir como, quando e por que utilizar a tecnologia, sempre mantendo o julgamento pedagógico como elemento central do processo educativo.
O desafio agora é formar alunos para pensar, e não apenas buscar respostas
O crescimento da inteligência artificial também muda o perfil das competências exigidas dos estudantes.
Em um mundo onde qualquer informação pode ser encontrada em poucos segundos, memorizar conteúdos deixou de ser suficiente.
A escola passa a ter um papel ainda mais importante no desenvolvimento do pensamento crítico, da capacidade de resolver problemas, da criatividade e da análise de informações confiáveis.
Segundo Cyntia Gomes, o maior desafio da educação contemporânea é preparar jovens para interpretar dados, tomar decisões conscientes e utilizar a tecnologia de forma ética.
“Ensinar vai muito além de transmitir conteúdos. É necessário ensinar o estudante a selecionar informações confiáveis, desenvolver pensamento crítico, resolver problemas, trabalhar em equipe e aplicar o conhecimento nas situações da vida e na sociedade.”
Grandes instituições investem em formação para o uso responsável da IA
A incorporação da inteligência artificial também vem sendo acelerada pelas grandes instituições de ensino.
Na Vitru Educação, mantenedora da UniCesumar, a tecnologia faz parte de uma estratégia institucional que envolve formação docente, inovação e governança.
Um diagnóstico interno mostrou que as ferramentas mais utilizadas pelos professores são:
- ChatGPT;
- Gemini;
- Canva IA.
Essas plataformas auxiliam na produção de conteúdos, planejamento pedagógico, elaboração de exercícios, criação de apresentações e organização de materiais didáticos.
Mas a empresa entende que apenas disponibilizar tecnologia não basta.
Por isso, criou o curso gratuito “Educar com IA: Ética, Criatividade e Presença”, voltado à capacitação dos professores para o uso consciente e responsável da inteligência artificial.
IA também melhora a experiência dos estudantes
Os investimentos em inovação não se restringem às salas de aula.
A Vitru também desenvolveu a SofIA, plataforma baseada em inteligência artificial que acompanha estudantes durante toda a jornada acadêmica.
Inicialmente criada para responder dúvidas administrativas — como matrículas, bolsas, documentos e financeiro —, a ferramenta passará a oferecer também apoio pedagógico aos alunos.
Segundo a instituição, a tecnologia já trouxe resultados expressivos:
- aumento de nove vezes na eficiência operacional;
- redução superior a 90% no tempo médio de atendimento;
- conversão de 24% dos atendimentos sem necessidade de intervenção humana;
- crescimento adicional nas matrículas realizadas pela equipe comercial.
O futuro da educação será cada vez mais humano
Apesar da rápida evolução tecnológica, especialistas concordam que o maior diferencial continuará sendo a capacidade humana de ensinar.
A inteligência artificial tende a assumir funções operacionais, automatizar processos e ampliar possibilidades pedagógicas.
Já os professores permanecem como protagonistas da aprendizagem, responsáveis por desenvolver competências socioemocionais, promover o pensamento crítico e transformar informação em conhecimento.
Mais do que competir com a tecnologia, a educação caminha para um modelo em que inovação e sensibilidade trabalham juntas.
Nesse novo cenário, a inteligência artificial deixa de ser uma ameaça para se tornar uma poderosa aliada na construção de uma educação mais eficiente, personalizada e inclusiva — sempre tendo o professor como a principal referência dentro da sala de aula.




