Categoria cobra reajuste e renovação do acordo coletivo; assembleia deve organizar o movimento, que ainda pode ser suspenso se houver proposta aceita pelos trabalhadores.
O domingo (27) é decisivo para quem depende dos ônibus do Distrito Federal. Os rodoviários marcaram uma assembleia para discutir os detalhes da greve geral anunciada para segunda-feira (28). Até a manhã deste domingo, a notícia era de uma paralisação prevista, não de ônibus já parados. O resultado da assembleia e eventuais novas negociações podem alterar o cenário.
O impasse envolve o reajuste salarial e a renovação do acordo coletivo da categoria, expirado em 30 de julho. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, houve nova rodada de conversas com representantes das empresas na semana passada, mas ainda não se chegou a uma solução definitiva. Os trabalhadores reivindicam recomposição da inflação do período desde o último reajuste e ganho real.
O acordo coletivo trata também de condições de trabalho e benefícios, entre eles jornada de seis horas corridas, tíquete e cesta-alimentação e planos de saúde e odontológico. A negociação, portanto, não se limita ao percentual de aumento no contracheque. É a continuidade do conjunto de regras da relação de trabalho que está em jogo.
Ao Metrópoles, o diretor financeiro do sindicato, João Osório, afirmou na sexta-feira (25) que a greve continuava agendada na ausência de uma proposta aceitável. Ele ressaltou que, se uma proposta surgir e for aceita, o movimento poderá ser suspenso. A assembleia deste domingo será um marco para avaliar a posição dos trabalhadores, mas não substitui a verificação do funcionamento efetivo das linhas na segunda-feira.
Durante agenda de campanha na Vila Planalto, também na sexta, a governadora e candidata à reeleição Celina Leão afirmou que os rodoviários merecem reajuste, mas disse considerar a negociação assunto entre patrões e empregados. A fala não constitui anúncio de acordo nem garantia de que a circulação seguirá normal.
Para o passageiro, a distinção prática é importante. Uma greve anunciada pede planejamento para a viagem de segunda, sobretudo para quem tem compromissos com horário rígido, mas não permite afirmar antecipadamente quais linhas serão afetadas, em que proporção ou por quanto tempo. Essas informações dependem da decisão da categoria, das empresas e de comunicados operacionais posteriores. Se houver acordo ou suspensão, o alerta muda.
O transporte coletivo é a ligação cotidiana entre regiões administrativas, locais de trabalho, escolas e unidades de saúde. Por isso, o avanço das negociações tem impacto que vai além da mesa sindical. O SOS BRASÍLIA seguirá atento ao desfecho da assembleia e às informações oficiais sobre a operação de segunda-feira, sem antecipar um resultado que ainda não ocorreu.
Por Rodrigo Albuquerque




