Acordo costurado na noite de domingo prevê reajustes de 8% nos salários e 10% no tíquete e na cesta básica; detalhes das cláusulas ainda seriam definidos nesta segunda.
Quem saiu de casa para usar ônibus na manhã desta segunda-feira (28) encontrou o sistema em operação normal, segundo registro do g1 DF. A greve que havia sido anunciada para começar hoje foi suspensa após uma negociação concluída no domingo à noite entre representantes dos trabalhadores e das empresas, com participação do poder público. A situação atual substitui o alerta de paralisação divulgado antes do acordo.
O acerto anunciado prevê reajuste de 8% nos salários e de 10% no tíquete-refeição e na cesta básica. Segundo o g1, ainda haveria uma reunião nesta segunda para acertar as cláusulas exatas. As companhias não haviam informado à reportagem se os novos valores seriam pagos já em outubro. Assim, o anúncio de percentuais não deve ser confundido com confirmação do calendário de pagamento ou de todos os termos finais.
A negociação ocorreu depois de um domingo de mudanças rápidas. A categoria havia anunciado a paralisação por reivindicar reajuste e benefícios relativos à data-base de 1º de agosto de 2026. O governo levou a ameaça de greve à Justiça do Trabalho. Antes da suspensão, o tribunal determinou percentuais mínimos de ônibus: 80% da frota nos horários de pico, 50% fora deles e 100% nos turnos da eleição. A decisão buscava limitar o efeito de uma greve que, afinal, não começou nesta manhã.
O Jornal de Brasília informa que a negociação envolveu sindicato, Secretaria de Mobilidade e concessionárias, e que o reajuste salarial de 8% superou a oferta anterior de 6% das empresas. A publicação diz ainda que houve ajuste no benefício de saúde, mas a forma de aplicação e os valores detalhados desse ponto dependem do texto definitivo. O balanço do acordo, portanto, deve ser acompanhado para além da manchete sobre o fim da paralisação.
Na Rodoviária do Plano Piloto e no BRT de Santa Maria, registros feitos pela TV Globo nesta manhã mostraram circulação. Passageiros ouvidos pela emissora relataram movimento menor, possivelmente porque o alerta anterior alterou planos de deslocamento. Esse relato não mede a demanda do sistema inteiro nem garante ausência de atrasos isolados. Para quem depende de uma linha específica, o funcionamento local ainda deve ser acompanhado pelos canais de transporte.
A suspensão traz alívio imediato a trabalhadores, estudantes e usuários de serviços que precisam cruzar o DF. Também expõe a importância de comunicar as etapas de uma negociação com clareza: greve anunciada, decisão judicial e acordo são acontecimentos distintos, que podem mudar a orientação ao passageiro em poucas horas.
Por Rodrigo Albuquerque




