Acordo judicial prevê instalação de aparelhos, mas medida ainda não foi colocada em prática. Dnit alega problemas com empresa fornecedora.
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Mesmo após o acordo entre a Justiça Federal e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que previa a instalação de radares em rodovias federais pelo país, o Distrito Federal ainda não possui equipamentos em funcionamento.
Um relatório de enviado pelo Dnit à Justiça aponta que, dos 19 aparelhos que deveriam ser instalados em quatro rodovias federais da capital, nenhum está em operação. O documento mostra ainda que, do total de pontos que devem receber radares no DF, 17 são considerados de risco alto ou muito alto.
À Justiça, o Dnit informou que a empresa selecionada para fornecer o material teve problemas ao apresentar garantias exigidas em contrato (veja mais abaixo). Questionado pelo G1, se há previsão para a instalação dos radares, o órgão não se posicionou até a publicação desta reportagem.
Nesta terça-feira (22), a juíza Diana Wanderlei, responsável por homologar o acordo, realiza uma audiência para acompanhar o cumprimento dos termos. Caso haja indício de que há descumprimento, o Dnit pode sofrer sanções.
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Radares no DF
O acordo fechado entre o órgão e a Justiça prevê a instalação de radares em 19 pontos nas seguintes rodovias federais que cortam o DF:
- BR-020: 2 aparelhos
- BR-070: 12 aparelhos
- BR-080: 2 aparelhos
- BR-251: 3 aparelhos
Os termos foram homologados em 30 de julho deste ano e previam que os trechos de rodovias considerados de risco alto ou muito alto deveriam ter radares instalados até dois meses após a assinatura do acordo.
Rodovias de risco
No DF, dos 19 pontos que devem receber radares:
- 16 são classificados como de risco muito alto
- 2 são classificados como de risco médio
- 1 é classificado como de risco alto
O que diz o Dnit
Ao justificar a ausência dos radares, o Dnit afirmou à Justiça que a empresa selecionada para o fornecimento dos radares, teve “dificuldades em apresentar garantia contratual adicional”.
Segundo o órgão, a companhia acionou a Justiça para conseguir a dispensa do documento que impede a assinatura do contrato. No entanto, ainda não houve decisão sobre o caso.
O Dnit disse ainda “que está dando continuidade aos trâmites administrativos necessários para contratação” da empresa que ficou em segundo lugar na seleção.
Ao G1, a juíza Diana Wanderley afirmou que, na audiência desta terça, o órgão deverá apresentar uma atualização do problema, com alternativas para a solução.
“Na audiência, devemos ter uma resposta atualizada quanto a isso. Após o fechamento do contrato, a empresa ainda deve ter 60 dias para instalar os radares. Mas vamos procurar alternativas para encurtar esse prazo, desde que não haja prejuízo à qualidade do material”, explica.
Retirada de radares
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A polêmica sobre a instalação de radares em rodovias federais de todo o país teve início depois que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) suspendeu a colocação dos aparelhos nas vias não-concedidas à iniciativa privada, em abril.
À época, o presidente afirmou que a “grande maioria destes [radares] têm o único intuito de retorno financeiro ao estado”.
Após a ordem, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) entrou com uma ação popular pedindo a suspensão da medida. O pedido foi concedido pela juíza Diana Wanderlei, que concedeu cautelar impedindo a retirada de radares e determinando a renovação de contratos prestes a vencer.
Quase quatro meses após a determinação da magistrada, o Dnit e o Ministério Público Federal (MPF) fecharam um acordo para a instalação de 1.140 novos radares para monitorarem 2.278 faixas de rodovias federais não concedidas à iniciativa privada.
Fonte: Gabriel Luiz e Pedro Alves, TV Globo e G1 DF




