Flamengo faz só 1 a 0 no CSA. Time de Renato dá a volta por cima e aplica 3 a 0 no Botafogo.

Rubro-negro carioca precisou do goleiro Diego Alves para garantir 1 a 0 no Maracanã lotado

Por Lino Tavares – 27/10/2019 

Assim como o coração, o futebol tem razões que a própria razão desconhece. Se na decisão da semifinal da Libertadores da última quarta-feira, no Maracanã, o Grêmio tivesse jogado tudo quanto jogou neste domingo, aplicando 3 a 0 no Botafogo, com domínio absoluto da partida, e o Flamengo tivesse rendido o pouco que rendeu na vitória apertada por 1 a 0 diante do CSA – jogos válidos pela 28ª rodada do Brasileirão – quem hoje estaria classificado para a grande final do torneiro continental seria com certeza o tricolor gaúcho.  Longe de querer dizer com isso que o Flamengo não fez por merecer essa classificação maiúscula alcançada com sobra de futebol na grande decisão de vaga que reuniu dois gigantes do futebol braileiro no maior estádio do país.  Até porque tanto no jogo de ida, na Arena do Grêmio, quanto no confronto de volta, no Maracanã, o time de Jorge Jesus exerceu domínio absoluto sobre a equipe de Renato Portaluppi. Movida pela euforia da classificação de seu time para a final da Libertadores, a gigantesca torcida flamenguista lotou o Maracanã, imaginando com sobradas razões que o agora galático time do Flamengo faria “gato e sapato” como o modesto CSA, impondo-lhe uma goleada ainda mais impiedosa do que a que aplicou no Grêmio. Nem o menos otimista torcedor rubro-negro seria capaz de prognosticar nesse jogo um placar favorável a suas cores que não fosse igual ou superior àquele colhido diante do tricolor gaúcho no jogo de volta da Libertadores.   A não confirmação dessa expectativa, devido ao magérrimo 1 a 0 que o Flamengo logrou alcançar a duras penas diante do pequeno CSA, deixou um gostinho amargo de derrota na boca da enorme legião flamenguista de todo o país. É claro que essa vitória apertada não suscitou um clima de tristeza sequer parecido com aquele que a torcida gremista viveu no vexame da última quarta feira no Maracanã. Afinal, a decepção no placar não impediu que o Flamengo somasse mais três pontos na tabela do Brasileirão, mantendo-se na liderança do certame  com larga vantagem sobre o vice-líder Palmeiras, que ganhou do lanterna Avaí pelo escore também apetado de apenas 2 a 1. Quem diria que nessa luta de Davi contra Golias um dos maiores destaques da partida seria o goleiro Diego Alves, que teve de praticar defesas difíceis a fim de evitar que o CSA cometesse o atrevimento de empatar com o super Flamengo de Gabigol ? Diante desse placar minguado, para o qual o Flamengo contribui com o baixo rendimento apresentado, vale perguntar: que esquema tático foi esse engendrado pelo técnico Argel Fucks, do CSA, que praticamente conseguiu brecar o frenesi futebolístico dessa máquina rubro-negra que hoje encanta o Brasil, com um futebol altamente qualificado ? Talvez esse placar de certo modo frustrante para os padrões flamenguistas da atualidade possa até se tornar útil ao trabalho do técnico Jorge Jesus com vistas ao difícil compromisso diante do River Plate pela decisão da Copa Libertadores de 2019. Isso pode soar como um alerta de que toda aquela facilidade com que o Flamengo conseguiu eliminar o Grêmio na semifinal do torneio não representa necessariamente um padrão de jogo praticamente insuperável. Diante dessa certeza, cabe ao técnico Jorge Jesus fazer desse limão uma limonada, partindo para o estudo de esquemas táticos alternativos capazes de evitar surpresas desagradáveis na final da Libertadores, caso o treinador do River, Marcelo Gallardo, resolva aprontar para cima do Flamengo tal como Argel Fucks aprontou, quase calando mais de 70 mil vozes flamenguistas no templo sagrado do futebol brasileiro.  

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