O Instituto Brasília Ambiental usou a data para reforçar a relevância ecológica das cobras e a necessidade de desconstruir mitos e temores infundados sobre os ofídios
Da Redação
Nesta quarta-feira (16), o Dia Mundial da Cobra chama atenção para o papel essencial das serpentes no equilíbrio ecológico. Aproveitando a data, o Instituto Brasília Ambiental reforçou a importância desses animais na natureza e alertou para a necessidade de combater o medo e a desinformação que os cercam.
“Existe um receio cultural muito forte em relação às serpentes, mas elas têm função ecológica essencial, como o controle de roedores que transmitem doenças”, explica o biólogo Thiago Silvestre, da Gerência de Fauna Silvestre (Gfau). Ele lembra que serpentes também servem de alimento para outras espécies, como aves e mamíferos, e são importantes na medicina por meio da produção de soros antiofídicos, que ajudam a salvar vidas.
Segundo dados científicos, o Cerrado abriga cerca de 117 espécies de serpentes, muitas delas não peçonhentas. Ainda assim, muitas são mortas por medo ou desinformação. O biólogo alerta: matar serpentes é crime ambiental, conforme a Lei 9.605, sujeito a multa e até prisão.
Ao encontrar uma serpente em área urbana, a orientação é manter distância e acionar o Batalhão da Polícia Militar Ambiental, pelo número 190.
Conscientização e educação ambiental
O Instituto Brasília Ambiental tem promovido ações de conscientização. No início de junho, foi lançado o Cartaz das Serpentes do Cerrado, como parte da coleção Eu Amo Cerrado, que reúne informações sobre a biodiversidade do bioma. A ação integrou a abertura da Semana do Meio Ambiente e do Dia Nacional da Educação Ambiental.
Outro exemplo é a sinalização da moradia de uma jararaca na Estação Ecológica de Águas Emendadas (Esecae), onde há grande presença desses animais. Inicialmente identificada como “Casa do Tatu”, a estrutura foi, na verdade, reconhecida como abrigo de uma jararaca, graças ao trabalho de monitoramento da equipe ambiental.
A educadora Mariana dos Anjos ressalta que a chave para mudar a visão sobre serpentes está na educação ambiental desde a infância. “É fundamental ensinar as crianças a respeitar esses animais e a reconhecer sua importância para o meio ambiente”, afirma.
Autoridades reforçam papel da educação
A vice-governadora Celina Leão destacou que ações de conscientização sobre animais silvestres são essenciais. “Entender o papel de cada espécie no ecossistema desperta a consciência ambiental na população”, disse.
Já o presidente do Brasília Ambiental, Rôney Nemer, reforçou a transformação que o conhecimento pode trazer: “A educação ambiental mudou minha visão de mundo. Hoje, minha vida é o meio ambiente”, afirmou.
Cobras ou serpentes?
Embora o nome popular no Brasil seja “cobra”, o termo correto cientificamente é “serpente” — “cobra” se refere especificamente às najas, que não existem no Brasil. O país abriga cerca de 400 espécies, entre elas a cascavel, coral verdadeira, jiboia, jararaca, falsa coral e cobra-verde.
Com mais de 3 mil espécies registradas no mundo, um quarto delas venenosas, muitas serpentes estão ameaçadas de extinção devido ao desmatamento, caça e tráfico de animais silvestres.
Neste Dia Mundial da Cobra, a mensagem do Brasília Ambiental é clara: as serpentes não são vilãs, e sim aliadas da natureza. Proteger esses animais é preservar o equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade do Cerrado.



