Dados fazem parte de levantamento do Setembro Amarelo. Mês de valorização da vida e prevenção ao suicídio termina nesta segunda (30), mas atenção aos sinais continuam; veja como se manter alerta.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/F/t/W5sPkUTBOBIzOSP4UCDw/desperate-2293377-1920.jpg)
Durante todo o mês de setembro, o Brasil e o Distrito Federal realizaram ações para celebrar a valorização da vida e prevenir ao suicídio. O Setembro Amarelo termina nesta segunda-feira (30), mas o alerta aos sinais precisam permanecer, alertam os especialistas.
Segundo a Secretaria de Saúde do DF, o número de automutilações e suicídios é crescente. O último boletim epidemiológico, divulgado nessa segunda, mostra que houve um aumento de 93% nos casos de automutilações, entre 2013 e 2018 ,no Distrito Federal.
Números assustadores
Os casos em que a pessoa se mutila, como tentativa de suicídio, cresceram 49,3% no Distrito Federal, entre 2013 e 2018. Os suicídios também aumentaram.
As vítimas, em sua maioria, tem idade entre 20 e 39 anos. Veja os números:
Automutilação – de 2013 a 2018
- 1.881 registros
- 1.329 mulheres
- 552 homens
- Faixa etária: maioria entre 20 e 39 anos
Suicídios – de 2013 a 2018
- 980 casos
- 73,7% vítimas eram homens
Suicídios em 2018
- 183 casos e
- 125 homens
- 58 mulheres
Suicídios em 2019
- 78 casos até 1º de agosto
- 57 homens
- 21 mulheres
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/0/Z/YIBEvORB2VEf1CTLSPZw/guy-2617866-1280.jpg)
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade de 15 a 29 anos. Os mesmos levantamentos ainda afirmam que cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo, a cada ano.
Mesmo se tratando de um grave problema de saúde pública, os suicídios podem ser evitados se identificado em tempo prévio. Estudos do Ministério da Saúde apontaram que o risco de suicídio é reduzido em 14% em municípios com a presença de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centros de Valorização a Vida (CVV).
“Permitir que as pessoas desabafem e falem sobre seus sentimentos sem receber críticas é um meio de evitar que se busque na morte a solução para as dores”, afirma a porta-voz do Centro de Valorização a Vida (CVV), Leila Heredia.
Sinais de que alguém está pensando em suicídio
A psicóloga e suicidologista Karina Okajima Fukumitsu acredita que o suicídio é o ápice do que ela chama de “processo de morrência”.
“A pessoa já está se sentindo desgostosa da vida, sem sentido, e vai definhando existencialmente.”
Para Karina, a pessoa emite sinais – comportamentais e verbais – que podem ajudar a identificar o risco. Em seus cursos, ela compilou, a partir de diversos estudos, quatro listas. Veja abaixo:
Comportamentos diretos
- Tentativas de suicídio anteriores
- Mudanças repentinas de comportamento
- Ameaça de suicídio ou expressão/verbalização de intenso desejo de morrer
- Ter um planejamento para o suicídio
- Sinais observáveis de depressão
- Oscilação de humor
- Pessimismo
- Desesperança
- Desespero
- Desamparo
- Ansiedade, dor psíquica, estresse acentuado
- Problemas associados ao sono (excessivo ou insônia)
- Intensa raiva
- Desejo de vingança
- Sensação de estar preso e sem saída
- Isolamento: família, amigos, eventos sociais
- Mudanças dramáticas de humor
- Falta de sentido para viver
- Aumento do uso de álcool e/ou outras drogas
- Impulsividade e interesse por situações de riscos
Comportamentos indiretos
- Desfazer-se de objetos importantes
- Conclusão de assuntos pendentes
- Fazer um testamento
- Despedir-se de parentes e amigos
- Casos extremos de irritabilidade, culpa e choro
- Fazer carteira de doação de órgãos
- Comprar armas, estocar comprimidos
- Fazer seguro de vida
- Colocar coisas em ordem
- Súbito interesse ou desinteresse em religião
- Fechar a conta corrente
Verbalização direta
- “Eu quero morrer.”
- “Gostaria de estar morto.”
- “Vou me matar.”
- “Se isso acontecer novamente, prefiro estar morto.”
- “A morte poderá resolver essa situação.”
- “Se ele não me aceitar de volta, eu me matarei.”
- “Quero sumir. Não aguento mais! Só morrendo mesmo para aguentar.”
Verbalização indireta
- “Se isso acontecer novamente, acabarei com tudo.”
- “Eu não consigo aguentar mais isso.”
- “Você sentirá saudades quando eu partir.”
- “Não estarei aqui quando você voltar.”
- “Estou cansado da vida, não quero continuar.”
- “Tudo ficará melhor depois da minha partida.”
- “Não sou mais quem eu era.”
- “Logo você não precisará mais se preocupar comigo.”
- “Ninguém mais precisa de mim.”
- “Eu sou mesmo um fracassado e inútil. Tudo seria melhor sem mim.”
Como ajudar?
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/q/X/MVhMavRwax0M8hfWM6Bw/cvv2-cortada.png)
Além da identificação dos sinais, é importante que as pessoas procurem algum Centro de Valorização a Vida (CVV), Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) ou até mesmo ajuda de amigos ou família.
O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma gratuita e voluntária. Os atendimentos podem ser feitos por telefone ou pela internet, 24 horas por dia.
- Telefone 188
- Site do CVV via chat
O CVV explica que todas as ligações ou conversas por chat são sigilosas.
Rede de Atenção Psicossocial – RAPS
A RAPS é formada pelos seguintes pontos de atenção:
- Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
Os principais atendimentos em saúde mental são realizados nos CAPS . O paciente recebe atendimento próximo da família com assistência multiprofissional e cuidado terapêutico conforme o quadro de saúde.
Se o município não possuir nenhum CAPS, o atendimento de saúde mental é feito pela Atenção Básica, principal porta de entrada para o SUS, por meio das Unidades Básicas de Saúde ou Postos de Saúde. - Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT)
São moradias ou casas destinadas a cuidar de pacientes com transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência e que não possuam suporte social e laços familiares. - Ambulatórios Multiprofissionais de Saúde Mental
Os Ambulatórios Multiprofissionais de Saúde Mental são serviços compostos por médico psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, enfermeiro e outros profissionais que atuam no tratamento de pacientes que apresentam transtornos mentais.
Outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) podem ser conferidos no site do Ministério da Saúde.
*Sob supervisão de Maria Helena Martinho
Fonte: Nicole Angel, G1 DF




