Crianças indígenas enfrentam lama e estrada de terra para pegar ônibus escolar no DF

Ônibus escolar não chega na aldeia indígena do Noroeste

Condução não entra na aldeia Teko Haw, localizada na região central de Brasília. Secretaria de Educação diz que área é ‘descoberta pelos contratos de transporte’.

Por G1 DF e TV Globo

Crianças indígenas andam por cerca de 2km para pegar ônibus escolar no DF — Foto: Tv Globo

Crianças indígenas andam por cerca de 2km para pegar ônibus escolar no DF — Foto: Tv Globo

Crianças indígenas atravessam estrada de terra e andam, diariamente, cerca de 1 km até a parada de ônibus para irem à escola no Distrito Federal. A Secretaria de Educação informou que, por ser área federal, o transporte escolar não entra na aldeia (leia íntegra da nota mais abaixo).

“A dificuldade de acesso não permite a entrada dos ônibus na região da aldeia, que é área federal, descoberta pelos contratos de transporte, que só permitem os veículos circularem no Distrito Federal.”

A comunidade indígena está localizada no Setor Noroeste, área central de Brasília. Cerca de 40 crianças e adolescentes, com idade entre 5 e 17 anos, passam todos os dias pelo trajeto cercado pela vegetação do Cerrado para pegarem o ônibus na rodovia da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA).

O percurso

A aldeia Teko Haw fica no Santuário dos Pajés. Na região, vivem 35 famílias, há 48 anos. Segundo o cacique Francisco Guajajara, que também é avô de um dos estudantes, o ônibus escolar passa às 7h, e as crianças começam o trajeto às 5h30 para garantir que chegarão pontualmente na parada.

“É muito complicado. Acordamos cedo para poder levar ele para a parada. São mais de 40 minutos andando”, comenta.

Ônibus escolar não chega na aldeia indígena do Noroeste

Ônibus escolar não chega na aldeia indígena do Noroeste

Falta de segurança

Os pais dos alunos dizem ainda que temem pela segurança dos filhos. Além da poeira e da lama em época de chuva, outros fatores que preocupam os moradores é a violência, o risco de animais na região e a exposição das crianças à rodovia movimentada.

Crianças indígenas cruzam mata para chegarem a parada de ônibus. — Foto: Tv Globo

Crianças indígenas cruzam mata para chegarem a parada de ônibus. — Foto: Tv Globo

Segundo o cacique Guajajara, um aluno chegou a ser picado por uma cobra após desembarcar do ônibus na volta da escola.

“A gente precisa de segurança, a gente vê a violência acontecendo no DF, e eu como representante, me preocupo com a segurança, eu luto por essas crianças para defender o direito deles.”

O que diz o governo

Procurada pelo G1, a Secretaria de Educação informou, em nota, que fez vistorias nas imediações da aldeia e que os estudantes andam cerca de 900 metros até a parada de ônibus.

Leia íntegra da nota:

“A Secretaria de Educação realizou vistoria na região, fez medições e verificou que, do ponto mais distante da aldeia Santuário do Pajé, os alunos andam cerca de 900 metros até o local de embarque e desembarque. A dificuldade de acesso não permite a entrada dos ônibus na região da aldeia, que é área federal, descoberta pelos contratos de transporte, que só permitem os veículos circularem no Distrito Federal.”

fONTE: g1/df

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