Homens pediam foto de código de barras para acessar contas via celular. Crime movimentou cerca de R$ 360 mil, segundo investigações.
Um grupo suspeito de desviar dinheiro da conta de empresários por meio de falsas ligações bancárias é investigado pelo Departamento de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Brasília. Os criminosos usavam QR Code – tipo de código de barras – cedido pelas próprias vítimas para acessar contas (ouça áudio acima).
Segundo a polícia, os alvos eram empresários que tinham contas jurídicas e “altos valores disponíveis”. Até esta quarta-feira (16), três suspeitos tinham sido presos. “Eles sabem quais as empresas que têm conta em determinado banco e ligam para essas pessoas”, afirma o delegado Giancarlos Zuliani.
“Nós estamos com três pessoas presas, sendo que duas delas movimentaram R$ 360 mil recebendo dinheiro furtado de contas de São Paulo aqui em Brasília.”
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Leia o diálogo abaixo:
Golpista: A questão mesmo de nosso contato com a empresa é referente ao recadastramento dos computadores utilizados para realizar as suas transações financeiras e a habilitação de nosso módulo de proteção. O senhor utiliza quantos computadores para o uso de transações em nosso sistema?
Vítima: Só um.
Golpista: Localiza lá a opção chamada “Administrativo” dentro do seu internet bank. Verifique se o senhor tem a quarta opção chamada “Cadastramento de computador”.
Vítima: Tenho, tem aqui.
Golpista: Então o senhor clica nela, então, por gentileza, no “Cadastramento de computador”, e me informa o que vai aparecer.
Vítima: Qual que é o número da… da sua matrícula aí do banco, que eu preciso anotar também, que eu não sei se tô falando com pessoa certa.
A ligação cai.
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A ação
De acordo com a investigação, os criminosos ligavam de um número fixo para vítimas que têm conta jurídica. Quando os clientes atendiam, eles se identificavam como funcionários da central de segurança do banco.
Então, os suspeitos diziam que precisavam atualizar informações e passavam instruções às vítimas para que, assim, eles pudessem acessar o sistema do banco – neste caso, de um celular.
Este tipo de chave de segurança é um QR Code que só o cliente deve ter acesso. Pela leitura do código de barras, é possível entrar na conta e fazer todo tipo de movimentação financeira autorizada pelo banco.
Em seguida, os golpistas pediam que a vítima enviassem uma imagem do código, via WhatsApp. Com a a foto em mãos, eles conseguiam acessar a conta e desviar dinheiro. Uma das vítimas que suspeitou da ligação gravou a conversa.
Investigados
Um dos suspeitos citados pelo delegado é o ex-goleiro do Gama e do Ceilândia Paulo Henrique França da Costa, preso em agosto por fraudes bancárias. No DF, três vítimas procuraram a Polícia Civil para denunciar o crime.
“Geralmente quando a vítima estava em São Paulo, o dinheiro vinha para Brasília. Quando a vitima estava em Brasília, eles mandam para outros estados”, explica Zuliani.
“Jamais repasse esse QR Code. Ele é seu, para você usar nas suas transações.”
Fonte: Michele Mendes, TV Globo




