Motoristas de aplicativo são assaltados a cada 82 horas no DF

Por Matheus Venzi/Redação SOS BRASILIA

Os motoristas de aplicativos de transportes, como Uber, 99 Taxi e Cabify, estão tendo uma vida difícil no Distrito Federal. De acordo com um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), esses profissionais são assaltados, em média, a cada 82 horas com restrição de liberdade.

Esse tipo de crime cresceu em 181% em comparação com os dois últimos anos. De 38 casos, esse número subiu para 107 entre 2018 e 2019. Neste ano, dois motoristas já foram assassinados neste tipo de crime: Maurício Cuquejo Sodré e Aldenys da Silva. Ambos foram encontrados mortos após aceitarem corridas na capital do país.

O especialista em segurança pública, Leonardo Sant’Anna, explica que as empresas dos aplicativos vão precisar encontrar maneiras de proteger os seus profissionais. “Mesmo sendo autônomos, é preciso que as empresas filtrem melhor os clientes que fazem cadastro no aplicativo. Exigem do motorista uma série de documentos e verificações. Por que não fazem o mesmo procedimento com os passageiros também?”, comenta.

Latrocínios e sequestros relâmpagos estão entre os crimes mais comuns cometidos contra os motoristas de aplicativo. No total, foram registradas 145 ocorrências desta modalidade no DF.

O estudante Guilherme Holanda, 25 anos, já trabalhou como motorista do app Uber durante nove meses. Porém, acabou desistindo da ideia por causas dos riscos da atividade. “O tanto que se ganha de dinheiro não vale para estarmos expostos a todo tipo de coisa. Além do risco de vida, também lidamos com maus clientes. Já cheguei a andar com spray de pimenta e faca no carro pra me proteger”, desabafa.

Guilherme já foi vítima dessa violência e relatou um dos episódios. “Estava dirigindo de madrugada e deixei a passageira no destino. Ela enrolou pra pagar, pois, estava procurando o dinheiro na bolsa. Um assaltante entrou no carro pela porta dela, apontou a arma e mandou eu dirigir. Falei pra ele deixar a moça descer do carro porque já tinha pego as coisas dela. Ele mandou eu dirigir por algumas quadras e levou todo o dinheiro que tinha comigo”, conta o ex-motorista de aplicativo.

Na visão de Sant’Anna, as forças de segurança também precisam tomar medidas contra a crescente violência. “Também é preciso que a polícia esteja atenta e fazendo uma segurança maior em áreas já relatadas pelos motoristas como de risco”, aponta o especialista.

No ano passado, o país registrou 202 mil novos motoristas de app durante o primeiro trimestre. Este tipo de serviço surgiu principalmente como uma alternativa de renda extra, além ajudar pessoas desempregadas. Em 2020, a taxa de desemprego já atinge 12,4 milhões de brasileiros.

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