Nova fase da Lava Jato investiga repasses do grupo Oi para empresa de filho de Lula

PF cumpre 47 mandados de busca em nova fase da Lava Jato do Paraná

MPF questiona pagamentos de R$ 132 milhões feitos a firmas de Fábio Luis Lula da Silva, e diz que parte foi usada no sítio de Atibaia. Oi e Telefônica dizem que estão prestando informações às autoridades.

Por Isabela Leite, José Vianna e Thais Kaniak, Globo News, RPC Curitiba e G1 PR

PF cumpre 47 mandados de busca em nova fase da Lava Jato do Paraná

PF cumpre 47 mandados de busca em nova fase da Lava Jato do Paraná

A 69ª fase da Operação Lava Jato, iniciada nesta terça-feira (10), investiga repasses de mais de R$ 100 milhões do grupo Oi/Telemar para empresas de Fábio Luis Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Lula. A Polícia Federal foi autorizada a cumprir 47 mandados de busca a apreensão.

O Ministério Público Federal (MPF) diz que as empresas do filho do Lula (Gamecorp/Gol) não tinham capacidade de prestar os serviços para os quais foram contratados pela Oi/Telemar. A Gamecorp/Gol desenvolve livros e aplicativos para celular, entre outros serviços ligados à tecnologia.

Segundo o MPF, o repasse de R$ 132 milhões ocorreu entre 2004 e 2016 – período em que o grupo de telecomunicações foi beneficiado por medidas do governo federal, então comandado pelo PT. Uma parte desse dinheiro teria sido usada para comprar o sítio de Atibaia que era usado por Lula. A PF diz que repasses da Oi/Telemar chegam a R$ 193 milhões.

A Oi disse que “atua de forma transparente e tem prestado todas as informações e esclarecimentos que vêm sendo solicitados pelas autoridades, assegurando total e plena colaboração com as autoridades competentes”.

Telefônica informou que a Polícia Federal esteve em sua sede, em São Paulo, buscando informações a respeito de contratos específicos de prestação de serviços realizados. “A empresa está fornecendo todas as informações solicitadas e continuará contribuindo com as autoridades. A Telefônica reitera seu compromisso com elevados padrões éticos de conduta em toda sua gestão e procedimentos”, afirmou em nota.

G1 fez contato, às 9h, com a assessoria de imprensa do Instituto Lula e com o escritório Teixeira Martins, que representa Lula e que já representou Fábio Luis. Até a última atualização desta reportagem, o G1 não havia obtido resposta das pessoas procuradas e não havia conseguido contato com a nova defesa de Fábio Luis e os demais citados.

A ação foi batizada de Mapa da Mina e é um desdobramento da 24ª etapa da Lava Jato, em que Lula foi levado a depor. Na ocasião, a defesa negou envolvimento em irregularidades, e o ex-presidente disse ter se sentido um “prisioneiro”.

Por volta das 8h, as buscas eram realizadas em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia e no Distrito Federal. A 69ª fase da Operação Lava Jato foi autorizada pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

Grupo Gamecorp/Gol

A estruturação do grupo Gamecorp/Gol foi, de acordo com o MPF, comandada por Fábio Luis Lula da Silva, Fernando Bittar, Kalil Bittar e Jonas Suassuna.

As investigações do MPF apontam que as empresas do grupo “não possuíam mão de obra e ativos compatíveis com a efetiva prestação dos serviços para os quais foram contratadas pela Oi/Telemar”.

O MPF informou que também são cumpridos mandados de busca e apreensão com a finalidade de apurar indícios de irregularidades no relacionamento entre o grupo Gamecorp/Gol com a Vivo/Telefônica.

Segundo o MPF, essa verificação é relacionada ao projeto “Nuvem de Livros”, em que foi constatada movimentação de R$ 40 milhões entre a Movile Internet Móvel, empresa do grupo Telefônica/Vivo, e a Editora Gol entre janeiro de 2014 e janeiro de 2016.

Mapa da Mina

O nome desta etapa da operação, segundo a PF, foi retirado de arquivo eletrônico de apresentação financeira interno do grupo econômico. Esse material foi apreendido na 24ª fase da Lava Jato.

O arquivo indicava como “mapa da mina” as fontes de recursos provenientes da maior companhia de telefonia investigada, conforme a PF.

O que diz a Telefônica/Vivo

Por meio de nota, a Telefônica/Vivo informou que a PF está nesta terça-feira na sede da empresa, em São Paulo, buscando informações a respeito de contratos específicos de prestação de serviços realizados.

“A empresa está fornecendo todas as informações solicitadas e continuará contribuindo com as autoridades. A Telefônica reitera seu compromisso com elevados padrões éticos de conduta em toda sua gestão e procedimentos”, diz um trecho da nota.

Fonte: G1/DF

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