No dia 18 de dezembro, Guilherme Marques Filho ameaçou e agrediu homem que denunciou assédio contra passageira em estação; câmeras filmaram momento. G1 tenta contato com militar
O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) informou, nesta quarta-feira (6), que recolheu a arma do 1º sargento Guilherme Marques Filho. Ele virou alvo de apuração disciplinar na corporação após ser flagrado agredindo e ameaçando Jair Reis Canhête, de 25 anos, depois que o jovem o denunciou por assédio contra uma passageira do metrô, em Taguatinga.
A confusão ocorreu no dia 18 de dezembro, quando Jair questionou o militar ao vê-lo tocar no cabelo de uma jovem. Depois que os dois saíram da estação, Guilherme perseguiu o rapaz e, com uma arma, o ameaçou e deu dois tapas na cabeça dele. As agressões foram filmadas por câmeras de segurança de uma loja.
Até a última atualização desta reportagem, o G1 tentava contato com o militar. Ao prestar depoimento à Polícia Civil, no mês passado, o sargento afirmou que confundiu a jovem com uma conhecida e negou assédio.
De acordo com o CBMDF, o processo de apuração disciplinar contra o sargento está formalizado. “Salientamos que o referido processo pode ser prorrogado caso haja necessidade de coleta de mais provas”, disse a instituição, em nota.
“A corporação manifesta-se contrária a qualquer forma de agressão e defende de forma contumaz o respeito a todo cidadão, ratificando seu compromisso com o dever de proteger a sociedade.”
‘Não dei liberdade’, diz jovem que diz ter sido assediada
Após as agressões, Jair Canhête disse que decidiu intervir no caso ao ver o estado emocional da jovem que teve o cabelo tocado pelo militar.
“Ele acariciou o cabelo dela. Depois disso, olhou com aquele olhar de: ‘Você gostou?’. Aquele olhar bem sacana mesmo. Ela ficou ficou pasma, ficou traumatizada. Foi essa a minha revolta, por isso que eu tomei toda essa ação.”

Em entrevista à TV Globo, a jovem que diz ter sido assediada confirmou a versão de Jair. Ela afirmou que estava a caminho de um shopping, no Guará, quando foi tocada pelo bombeiro. A mulher preferiu não ter a identidade divulgada.
“Estava na fila para comprar a passagem, quando um senhor [o bombeiro] chegou e passou a mão no meu cabelo. Perguntei o que tinha acontecido e ele saiu de costas, sorrindo”, disse.
Ela afirmou que, quando voltou a ver o homem, ele estava sendo questionado por Jair. “Nessa hora, o senhor se apresentou como militar, disse que estava armado e negou o crime, falando que tinha esbarrado em mim.”
“Sei que ele chegou perto de mim e passou a mão no meu cabelo. Ele não é uma pessoa conhecida e não dei liberdade para que fizesse isso.
Fonte: G1/DF | Afonso Ferreira



