De janeiro até 1º de agosto, a Secretaria de Saúde registrou 78 mortes no DF. Veja quais são os sinais de atenção.
Por Nicole Angel*, G1 DF
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Pessoas caminham no Parque da Cidade, em Brasília, durante a campanha Setembro Amarelo da Associação Brasileira de Psiquiatria Setembro em 2015 — Foto: Divulgação/ABP
O Distrito Federal realiza ações como caminhadas e palestras nas escolas e empresas para celebrar o mês de valorização da vida e prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo. A campanha começa neste domingo (1º) e vai até o fim do mês (veja programação abaixo).
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No Distrito Federal, 183 suicídios foram registrados em 2018. Foram 125 homens e 58 mulheres.
Em 2019, até 1º de agosto, a Secretaria de Saúde registrou 78 mortes por suicídio no DF. 57 vítimas eram homens e 21 mulheres.
A ideia do Setembro Amarelo, explica a porta-voz do Centro de Valorização a Vida (CVV), Leila Heredia, é conscientizar a população e os profissionais de saúde para que reconheçam os sinais de risco e auxiliem no tratamento.
“Permitir que as pessoas desabafem e falem sobre seus sentimentos sem receber críticas é um meio de evitar que se busque na morte a solução para as dores.”
Sobre o suicídio
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Números de casos de suícidio crescem e conscientização sobre a temática é importante — Foto: TV Globo/ Reprodução
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Os mesmos dados ainda afirmam que cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo, a cada ano.
Mesmo se tratando de um grave problema de saúde pública, os suicídios podem ser evitados se identificado em tempo prévio.
Quais os sinais quando alguém pensa em suicídio?
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Pessoas que pensam em suicídio podem apresentar sinais comuns — Foto: Frédéric Cirou/AltoPress/PhotoAlto/AFP/Arquivo
A psicóloga e suicidologista Karina Okajima Fukumitsu acredita que o suicídio é o ápice do que ela chama de “processo de morrência”.
“A pessoa já está se sentindo desgostosa da vida, sem sentido, e vai definhando existencialmente.”
Para Karina, a pessoa emite sinais – comportamentais e verbais – que podem ajudar a identificar o risco. Em seus cursos, ela compilou, a partir de diversos estudos, quatro listas. Veja abaixo:
Comportamentos diretos
- Tentativas de suicídio anteriores
- Mudanças repentinas de comportamento
- Ameaça de suicídio ou expressão/verbalização de intenso desejo de morrer
- Ter um planejamento para o suicídio
- Sinais observáveis de depressão
- Oscilação de humor
- Pessimismo
- Desesperança
- Desespero
- Desamparo
- Ansiedade, dor psíquica, estresse acentuado
- Problemas associados ao sono (excessivo ou insônia)
- Intensa raiva
- Desejo de vingança
- Sensação de estar preso e sem saída
- Isolamento: família, amigos, eventos sociais
- Mudanças dramáticas de humor
- Falta de sentido para viver
- Aumento do uso de álcool e/ou outras drogas
- Impulsividade e interesse por situações de riscos
Comportamentos indiretos
- Desfazer-se de objetos importantes
- Conclusão de assuntos pendentes
- Fazer um testamento
- Despedir-se de parentes e amigos
- Casos extremos de irritabilidade, culpa e choro
- Fazer carteira de doação de órgãos
- Comprar armas, estocar comprimidos
- Fazer seguro de vida
- Colocar coisas em ordem
- Súbito interesse ou desinteresse em religião
- Fechar a conta corrente
Verbalização direta
- “Eu quero morrer.”
- “Gostaria de estar morto.”
- “Vou me matar.”
- “Se isso acontecer novamente, prefiro estar morto.”
- “A morte poderá resolver essa situação.”
- “Se ele não me aceitar de volta, eu me matarei.”
- “Quero sumir. Não aguento mais! Só morrendo mesmo para aguentar.”
Verbalização indireta
- “Se isso acontecer novamente, acabarei com tudo.”
- “Eu não consigo aguentar mais isso.”
- “Você sentirá saudades quando eu partir.”
- “Não estarei aqui quando você voltar.”
- “Estou cansado da vida, não quero continuar.”
- “Tudo ficará melhor depois da minha partida.”
- “Não sou mais quem eu era.”
- “Logo você não precisará mais se preocupar comigo.”
- “Ninguém mais precisa de mim.”
- “Eu sou mesmo um fracassado e inútil. Tudo seria melhor sem mim.”
Ações em Brasília
O Setembro Amarelo, em Brasília, começa neste domingo e vai até o final do mês. Veja as principais ações:
- 10 de setembro, Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio: mudas de árvores serão plantadas no Parque da Cidade, em homenagem às vítimas de suicídio.
- 15 de setembro, Pedal pela Vida: ciclistas se reunirão no Eixo Monumental. Ao final do evento, 920 balões, que representam o número de vidas que se perdem mensalmente para o suicídio, serão soltos.
- 23 e 24 de setembro, VIII Jornada de Prevenção ao Suicídio no Distrito Federal: evento no auditório do BSGI Associação Brasil, no Setor de Grandes Áreas Sul 608, das 8h às 18h.
Centro de Valorização a Vida
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Contato do CVV funciona 24 horas por dia — Foto: Reprodução/Site CVV
O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma gratuita e voluntária. Os atendimentos podem ser feitos por telefone ou pela internet, 24 horas por dia.
- Telefone 188
- Site do CVV via chat
O CVV explica que todas as ligações ou conversas por chat são sigilosas.
*Sob a supervisão de Maria Helena Martinho
Fonte: G1/DF




