Registros de novas armas para servidores públicos e cidadãos mais que triplicam em 2020 no DF

Total saltou de 895, em 2019, para 3.029 no ano passado. Número é o maior da série histórica de dados da Polícia Federal, iniciada em 2009

O Distrito Federal registrou 3.029 novas armas em 2020 para servidores públicos e cidadãos. O número é mais que o triplo do registrado em 2019 para a mesma categoria, quando foram 895 ao total. Os dados são da Polícia Federal.

Do total de armas registradas por pessoas físicas no ano passado, 656 foram para servidores públicos por prerrogativa de função – que inclui os quadros do Judiciário ou do Ministério Público – e 2.373 para cidadãos em geral.

Os números são os maiores desde o início da série histórica da PF, iniciada em 2019. 

O crescimento da quantidade de armas nas mãos dos brasilienses pode ser ainda maior, já que os dados da PF não incorporam os registros por CAC’s (atirador, caçador, colecionador), que são monitorados pelo Exército.

Empresas e órgãos públicos

Arma, modelo taurus, em cintura de agente penitenciário do DF — Foto: TV Globo/Reprodução
Arma, modelo taurus, em cintura de agente penitenciário do DF — Foto: TV Globo/Reprodução

Ao considerar o total de registros, incluindo empresas privadas e o governo, 11.265 novas armas foram incorporadas no DF em 2020. O número é 39% menor que o registrado no ano anterior, que finalizou com 18.536.

Os resultados de 2019 foram superiores principalmente pelo total de registros de armas por órgãos públicos, que somaram 17.535 – 94% do total.

Já em 2020, o total de novas armas para o governo foi de 8.095, o que equivale a 71% do total. Veja o detalhamento dos registros de armas no DF em 2020 abaixo, de acordo com a PF:

  • Cidadão: 2.373
  • Servidor público (porte por prerrogativa de função): 656
  • Empresa de segurança privada: 131
  • Órgão público: 8.095
  • Outras categorias: 10

Ranking nacional

O DF está em 7º lugar entre os entes federativos com os maiores registros de armas na soma de pessoas físicas e jurídicas. O estado que lidera o ranking é Minas Gerais, com 22.068 registros no total. Em último está o Amapá, com 312.

Ao todo, foram registradas 179.771 novas armas no Brasil em 2020, um recorde na série histórica. Veja:

Registros de novas armas no Brasil em 2020

EstadosRegistros
MG22.068
RS19.043
SP13.963
SC13.383
RJ11.899
DF11.265
PR10.117
BA8.845
MT8.458
GO8.382
ES7.781
PA6.267
RO5.573
PE4.274
CE4.042
MA3.497
PI3.303
MS2.891
RN2.577
AL2.515
PB2.350
TO2.142
SE1.524
AC1.195
RR1.027
AP795
AM595
Fonte: PF

Já o total de armas apenas para cidadãos é liderado pelo Rio Grande do Sul, com 16.924. Em segundo, está Minas Gerais, com 16.410. O DF ocupa o 16º lugar. Os menores números são do Amapá, com 233.

Entre as novas armas para servidores públicos, por prerrogativa de função, a capital federal aparece no 8º lugar do ranking. São Paulo lidera os registros, com 5.269. Os menores resultados também são do Amapá, com 77 nesta categoria.

Debate

O aumento dos registros ocorre após uma série de flexibilizações na posse de armas, iniciadas em 2019. Entre as principais mudanças está a inexigência de “comprovação da efetiva necessidade para a posse”, a chamada discricionariedade que a PF tinha para conceder os registros.

A nova regra passou a considerar os seguintes critérios básicos para possuir uma arma:

  • Ter mais de 25 anos
  • Comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica
  • Apresentar documentos de ocupação lícita e residência
  • Declarar que possui local seguro para guardar armas
  • Não responder inquérito ou processo criminal

Em julho, o governo do Distrito Federal regulamentou uma lei que dá aos policiais civis, militares e bombeiros a prioridade na compra das armas de fogo que usaram ao longo da carreira, após aposentadoria ou reserva.

A norma era uma reivindicação da categoria e foi elogiada pelo Sindicato dos Delegados da Polícia Civil. Já especialistas em segurança pública contra a política armamentista defendem que “a arma do crime também é a arma que o cidadão leva para casa”.

A regras de flexibilização podem continuar na capital. Em dezembro, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou um projeto de lei que garante porte de arma de fogo a atiradores desportivos na capital.

A medida prevê que atletas possam portar o armamento e munição, mesmo fora de competições. A regra aguarda sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB).

Fonte: G1/DF | Repórter: Carolina Cruz

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