De Ceilândia para as telas: “Manual do Herói” leva Brasília para o universo dos super-heróis

Por: Redação SOS

Filme brasiliense dirigido por Fáuston da Silva estreia nos cinemas em 13 de agosto e transforma a periferia do DF em cenário de uma aventura que mistura ação, humor, ficção científica e identidade brasileira

Brasília já foi cenário de dramas, documentários e produções que exploram sua arquitetura e seu imaginário político. Agora, a capital federal ganha uma nova representação nas telas: a de território para uma aventura de super-heróis com sotaque brasiliense.

É em Ceilândia que se passa Manual do Herói, longa-metragem dirigido e roteirizado pelo cineasta brasiliense Fáuston da Silva, que chega aos cinemas de todo o país nesta quinta-feira (13). A produção mistura ação, comédia, ficção científica e aventura para construir uma história que dialoga com o universo dos quadrinhos sem simplesmente reproduzir os modelos consagrados pelo cinema norte-americano.

A proposta é justamente outra: descobrir como seria um universo de heróis se ele nascesse no Distrito Federal.

“Uma das perguntas que deram origem a Manual do Herói foi: como transportar para o Brasil uma mitologia tão ligada aos quadrinhos urbanos americanos?”, explica Fáuston. A resposta encontrada pelo diretor foi trocar as grandes cidades estrangeiras por uma realidade conhecida de perto.

Em vez de Gotham ou Nova York, entra Ceilândia.

Para o cineasta, a região funciona como uma espécie de “Bronx” brasiliense: um território marcado por identidade, diversidade, cultura, tensões e personagens que poderiam facilmente ocupar as páginas de uma história em quadrinhos.

A escolha ajuda a construir um dos principais diferenciais do filme. Brasília deixa de ser apenas um endereço onde a história acontece e passa a integrar a própria identidade da narrativa.

Um herói que poderia ser qualquer um

No centro da história está Agnus, personagem interpretado por Eduardo Ydiriuá. Jovem, trabalhador e estudante, ele vive os desafios comuns de quem precisa equilibrar responsabilidades pessoais, profissionais e familiares.

Tudo muda quando, durante um assalto, Agnus recebe um objeto misterioso: o Manual do Herói.

Ao mergulhar em suas páginas, ele encontra um mundo em ruínas, ameaçado por um pacto entre vilões e pessoas que escolheram permanecer omissas. A partir daí, precisa enfrentar desafios sobrenaturais e descobrir se está disposto a assumir uma responsabilidade que pode mudar não apenas sua própria trajetória, mas também a vida daqueles que estão ao seu redor.

A ideia de heroísmo apresentada pelo filme não está necessariamente ligada a superpoderes.

“Ser herói não é poder. É querer.”

É justamente essa perspectiva que aproxima Agnus do público. O personagem não é apresentado como alguém extraordinário desde o nascimento, mas como um jovem que precisa tomar decisões diante das circunstâncias que encontra.

Eduardo Ydiriuá, que nasceu em Samambaia e é descendente do povo indígena Karajá, do Pará, acredita que essa característica ajuda a criar identificação com o protagonista.

“Todo mundo tem um herói dentro de você”, afirma o ator.

Cinema brasiliense ganha uma aventura com identidade própria

A produção também chama atenção por apostar em elementos da cultura urbana e das periferias do Distrito Federal, além de incorporar referências à ancestralidade indígena.

Essa combinação amplia o universo do filme e mostra uma tentativa de construir uma mitologia própria, em vez de apenas adaptar modelos estrangeiros.

A experiência de Fáuston da Silva ajuda a explicar essa ambição.

Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília (UnB), o diretor ganhou projeção nacional e internacional com Meu Amigo Nietzsche, curta-metragem que acumulou mais de 100 prêmios e reconhecimentos em festivais no Brasil e no exterior, incluindo o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Clermont-Ferrand, na França, e o Festival de Sapporo, no Japão.

Manual do Herói representa sua estreia na direção de um longa-metragem.

Reconhecimento antes da estreia comercial

Antes mesmo de chegar ao circuito comercial, o filme já passou por importantes espaços do audiovisual brasileiro.

A produção integrou a seleção oficial da 4ª OJU – Roda Sesc de Cinemas Negros e da Mostra de Cinema Rolê 22.

Outro reconhecimento veio no próprio Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Eduardo Ydiriuá recebeu o prêmio de Melhor Ator no 57º Festival de Brasília por sua atuação no longa.

O elenco ainda reúne Elaine Amaro, Aline Araújo, Lila Kamayurá, Pablo Magalhães, Luiz Senna, Lino Ribeiro, João Gott, Luana Wernik e Fabrizia Posada. Bruno Torres e Sérgio Sartório também fazem participações especiais.

Brasília como território de criação

Há uma característica particularmente interessante em Manual do Herói: a produção não tenta esconder que nasceu em Brasília.

Ao contrário, utiliza elementos da cidade e de suas regiões administrativas para criar uma narrativa de fantasia que poderia facilmente ser ambientada em qualquer grande metrópole, mas que ganha outra personalidade justamente por estar ligada ao Distrito Federal.

Essa escolha ajuda a reforçar o potencial de Brasília como polo de produção audiovisual.

A capital, conhecida mundialmente por sua arquitetura modernista, também possui uma cena cultural que há décadas produz cinema, música, teatro e outras manifestações artísticas. Ao levar Ceilândia para uma história de ação e ficção científica, Manual do Herói amplia as possibilidades de representação da cidade nas telas.

O filme mostra que Brasília pode ser muito mais do que seus monumentos e cartões-postais.

Pode ser também cenário de aventura, fantasia, humor, conflito e criação de novos imaginários.

Uma história brasileira sobre o que significa ser herói

No fim, Manual do Herói parece propor uma pergunta que ultrapassa os limites do gênero: o que faz alguém se tornar um herói?

A resposta não está necessariamente em possuir poderes extraordinários, mas na disposição de agir, enfrentar problemas e assumir responsabilidades.

Ao colocar essa discussão dentro de um universo construído a partir de Brasília, Ceilândia, cultura urbana e referências brasileiras, o filme encontra uma maneira própria de conversar com um gênero que há décadas domina o imaginário cinematográfico mundial.

Para quem acompanha o cinema produzido no Distrito Federal, a estreia também representa uma oportunidade de conferir nas telas uma produção que leva personagens, profissionais e paisagens da capital para uma aventura com potencial de conquistar públicos além de Brasília.

Manual do Herói estreia nos cinemas brasileiros em 13 de agosto.

Serviço

Filme: Manual do Herói
Estreia: 13 de agosto de 2026
Direção e roteiro: Fáuston da Silva
Produção: Esmero Filmes e Hoje Filmes
Distribuição: O2 Play
Gênero: Ação, comédia, ficção científica e aventura
Duração: 99 minutos
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos

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