Polêmica sobre juros

Por: Renato Riella

Estoura grande polêmica no Brasil, depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, na quinta reunião seguida.

A inflação de fevereiro foi mais forte do que o esperado e o BC indica que pode aumentar os juros nos próximos meses.

O comunicado do Copom é “muito preocupante”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “No momento em que a economia está se retraindo, o Copom chega a sinalizar uma subida da taxa de juros”, comentou Haddad.

Na avaliação do ministro, os juros altos travam o crédito. “Devemos mandar ainda em abril, para a Casa Civil, um conjunto de medidas para melhorar o ambiente de crédito”, declarou.

 

COMUNICADO – Em comunicado, o Copom informou que o ambiente internacional se deteriorou desde a última reunião do órgão. Há bancos com problemas nos Estados Unidos e, na Europa, a inflação não cede na maioria dos países.

Segundo o BC, na economia brasileira a desaceleração continua, com inflação acima do teto da meta. O texto do Copom menciona incertezas em relação ao futuro arcabouço fiscal em elaboração pelo Governo, mas elogia a recente reoneração parcial da gasolina e do etanol, para ampliar a arrecadação.

 

PLANALTO – No Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, não poupou críticas ao Banco Central e ao seu presidente, Roberto Campos Neto.

“Essa insensibilidade do Banco Central só aumenta o desemprego e aumenta o sofrimento do povo brasileiro. Não dá para compreender a decisão do Banco Central”, criticou o ministro.

A decisão provocou na Casa Civil novos questionamentos sobre a autonomia do Banco Central. Para Ruy Costa, a questão deve ser debatida por deputados federais e senadores.

 

SETOR PRODUTIVO – Os juros a 13,75% recebem críticas do setor produtivo. Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou de “equivocada” a decisão, comentando: “A CNI espera que esse processo de redução da Selic se inicie na próxima reunião”.

A Confederação citou que os juros reais (ao ser descontada a inflação) estão em 7,7% ao ano, 3,7 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra da economia.

Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) reitera que os juros têm imposto severos sacrifícios à atividade econômica. Representa entrave para as condições de crédito, prejudicando os investimentos das empresas e o consumo das famílias. Segundo a Federação, para que a redução da taxa Selic ocorra de forma responsável, é preciso que as incertezas no âmbito das contas públicas sejam superadas.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) repudiou a decisão de ontem. Disse que a manutenção dos juros “revela uma completa submissão do Copom aos interesses dos rentistas e um evidente boicote do presidente do BC ao esforço de todos e todas que trabalham pela retomada do crescimento da economia”.

 

EUA – Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED), banco central americano, aumentou as taxas de juros do país para uma faixa de 4,75% a 5%, com alta de 0,25 ponto percentual.

Em nota, o FED citou a turbulência do sistema bancário, com a quebra dos bancos médios Silicon Valley Bank e Signature Bank, além da crise enfrentada pelo First Republic Bank, que recebeu socorro bilionário de outros 11 bancos.

 

CRIME ORGANIZADO – Grande repercussão nacional com a descoberta de complô para sequestrar o senador Sérgio Moro (União), pessoas da sua família e outras personalidades ligadas ao controle do crime organizado.

Essa operação, por infeliz coincidência, vem depois das declarações do Presidente Lula, dizendo ter vontade de se vingar do Moro, que proporcionou sua prisão no Paraná.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Sequaz, para desarticular organização criminosa que pretendia realizar homicídios e extorsão mediante sequestro, em pelo menos cinco unidades da Federação (RO, PR, DF, MS e SP). Houve a princípio nove prisões.

Outro alvo do grupo era Lincoln Gakyia, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Presidente Prudente, interior de São Paulo.

Segundo investigadores, a retaliação a Moro era motivada por mudanças no regime de visitas em presídios, medida que adotou quando foi ministro da Justiça.

Criminosos trabalhavam com a ideia de sequestrar o senador como forma de negociar a liberação do líder criminoso Marcola.

 

PROJETO DE SEGURANÇA – Senador Moro, em discurso ontem no Senado, pediu apoio para a aprovação de projeto que estabelece como crime a conspiração e o ordenamento de ataques a agentes públicos com o objetivo de atrapalhar investigações contra organizações criminosas.

O texto prevê pena de quatro a 12 anos e multa para quem solicitar ou ordenar a alguém a prática de violência ou de grave ameaça contra agente público, advogado, jurado e testemunha.

 

DIESEL – Petrobras reduziu preço do diesel para as distribuidoras. Valor passa de R$ 4,02 para R$ 3,84 por litro, com redução de R$ 0,18 ou 4,47%.

A baixa no preço do diesel acompanha a queda nos preços do barril de petróleo no mercado internacional. Nesta semana, os preços do petróleo foram ao nível mais baixo em 15 meses (menos de 80 dólares).

 

MARCO TEMPORAL – Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, prometeu, durante visita a uma aldeia, que o julgamento sobre o marco temporal para demarcação de terras indígenas será retomado ainda no primeiro semestre.

É um processo que poderá gerar grandes conflitos na área rural de todo o Brasil.

No STF, os ministros discutem a tese, defendida por proprietários de terras, de que os indígenas somente teriam direito aos territórios que estavam efetivamente ocupados no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que já estavam em disputa judicial nesta época.

No julgamento interrompido, há empate de 1 a 1. O relator do caso, ministro Edson Fachin, votou contra o marco temporal para demarcação de terras indígenas. Já o ministro Nunes Marques abriu divergência a favor do marco temporal, defendendo que se limite a expansão de terras indígenas no Brasil.

 

MARIA DA PENHA – Qualquer autoridade policial poderá conceder sumariamente medidas protetivas de urgência a mulheres vítimas de violência, como a suspensão ou restrição do porte de armas, o afastamento da residência e a proibição de aproximação entre as partes envolvidas.

Mudança na Lei Maria da Penha foi aprovada no Congresso e depende de sanção presidencial.

 

ECONOMIA – Dólar fechou ontem a R$ 5,23, com queda de 0,18%.

Índice Ibovespa, da Bolsa de Valores, caiu 0,18%, para 100.200 pontos.

No mercado nacional, índices ainda não foram impactados pela decisão sobre os juros.

Teme-se que, hoje, a Bolsa caia abaixo dos 100 mil pontos.

 

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