Pacientes tiveram exames positivos para covid-19 em intervalo igual ou superior a 90 dias, segundo a Secretaria de Saúde. Laboratório de referência da Fiocruz fará análise para confirmar ou descartar as suspeitas; não há data definida para que os resultados sejam divulgados
Enquanto o Distrito Federal segue registrando aumento gradativo nos casos diários de infecções por covid-19, cresce a preocupação com os riscos de reinfecção em pacientes curados. A Secretaria de Saúde aguarda conclusão das investigações de três moradores do DF com suspeita de nova contaminação por coronavírus. As amostras serão analisadas pelo Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A unidade é referência nacional em diagnóstico e pesquisa sobre o vírus. Os resultados serão divulgados nos próximos dias pelo Ministério da Saúde e a reinfecção só será confirmada se forem identificadas genotipagens diferentes do vírus Sars-CoV-2.
A Secretaria de Saúde informou que não pode dar detalhes dos pacientes, mas destacou que todos apresentaram dois resultados positivos para covid-19 em um intervalo igual ou superior a 90 dias. As primeiras infecções aconteceram entre junho e agosto, e a segunda, entre o fim de novembro e o início de dezembro. De acordo com o protocolo do Ministério, isso faz com que os casos tornem-se suspeitos de reinfecção. Os exames de RT-PCR foram coletados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF).
Em nota oficial, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) disse que apenas o Ministério da Saúde se manifestará sobre o assunto. Por sua vez, o órgão federal não deu datas para os resultados dos laudos, mas afirmou que recebeu, até o momento, 58 notificações de casos suspeitos de reinfecção de covid-19 em nove estados brasileiros. “Até o momento, apenas um caso de reinfecção foi confirmado no país”, ressaltou a pasta. Trata-se de uma mulher de 37 anos, profissional da área de saúde e moradora de Natal, no Rio Grande do Norte. “Ela teve a doença em junho, curou-se e teve resultado positivo novamente em outubro — 16 dias depois do primeiro diagnóstico.”
Quem teve a doença lembra das complicações e teme a chance de passar por elas novamente. Em agosto, a manicure Sarah Lopes, 35 anos, e três pessoas da família dela levaram um susto após se infectarem. “Tivemos sintomas de febre, dor no corpo, perda de olfato e de paladar. Ficamos com medo, pois não sabíamos como cada um reagiria ao vírus. Graças a Deus, ficamos bem e nos recuperamos”, afirma. “Agora, estamos cuidando ao máximo para não corrermos o risco de uma nova infecção. Afinal, é uma doença misteriosa. Não podemos nos descuidar.”
Avanço
O boletim epidemiológico divulgado, ontem, pela Secretaria de Saúde mostra que o DF tem 237.945 casos confirmados, dos quais 4.051 evoluíram para morte (1,7%) e 226,3 mil (95%) se recuperaram. Nas últimas 24 horas, a pasta contabilizou 831 novas ocorrências e oito óbitos. Do total de fatalidades, 3.458 pacientes apresentaram alguma comorbidade, o que corresponde a 85,4% do total. Ainda de acordo com os dados apresentados, a taxa de transmissão do vírus é de 0,93.
O valor indicaria que a pandemia está contida. Contudo, uma pesquisa divulgada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan/DF), nesta semana, aponta que o fator R0 estaria em 1,16, indicando que, caso tudo se mantenha nas mesmas condições, em uma semana pode haver aumento de 16% no número de infectados. Em um comparativo entre as primeiras semanas de novembro e dezembro, as confirmações de covid-19 dobraram, indo de 2.181 no mês passado, para 2.585. No mesmo período, também houve aumento de 10% no número de mortes, sendo 50 na primeira semana de novembro e 55 em dezembro.
Outro número preocupante é o coeficiente de mortalidade. O DF é a segunda unidade da federação com o maior índice. Com 132 mortes a cada 100 mil habitantes, está atrás apenas do Rio de Janeiro, que tem média de 134 mortes por 100 mil habitantes. Apesar disso, a taxa de letalidade da capital é das mais baixas do país. Enquanto o Rio de Janeiro lidera o ranking com taxa de 6,23%, o DF indicou taxa de 1,7%. Apenas Tocantins (1,42%), Amapá (1,35%), Roraima (1,15%), e Santa Catarina (1,01%) apresentaram valores menores. Nacionalmente, o DF é o 11º em número de casos confirmados, e 17º para novos registros diários.
A Codeplan analisou,também, a evolução da pandemia nas regiões administrativas, e concluiu que Plano Piloto, Taguatinga, Águas Claras, Ceilândia, Guará e Sobradinho registraram maior número de notificações nas últimas duas semanas. Já as que tiveram mais óbitos foram Plano Piloto, Guará, Gama, Ceilândia, Taguatinga, Brazlândia e Planaltina. Sol Nascente e Pôr do Sol são as regiões com maior proporção de óbitos em relação ao total de infectados (4,15%), e Águas Claras teve a mais expressiva evolução de casos, com 9,8 mil por 100 mil habitantes. No Entorno do DF, Valparaíso de Goiás tem o maior número de infectados (7.790), seguido de Luziânia (6.790), e Águas Lindas (4.277).
Fonte: Correio Braziliense



