Mesmo entre exonerações de administradores, hospitais lotados e epidemia de dengue, Osnei Okumoto afirma que ‘ano termina de forma positiva’; leia entrevista.
Por Brenda Ortiz, G1 DF
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O secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto — Foto: Reprodução/TV Globo
À frente da Secretaria de Saúde do Distrito Federal no primeiro ano do governo Ibaneis Rocha (MDB), Osnei Okumoto faz um balanço positivo do trabalho desenvolvido pela pasta. Mesmo entre exonerações de administradores, hospitais lotados e epidemia de dengue, o secretário disse ao G1 que “o ano termina de forma positiva na Saúde”.
- Formado em farmácia-bioquímica pela Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, Okumoto foi chefe da Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, antes de assumir o cargo, no GDF. Em uma entrevista de cerca de 1h30, ele fez um balanço de 2019 e projetou as ações para 2020. Veja os assuntos abordados pela reportagem:
- Fim do estado de emergência
- Maiores dificuldades da pasta
- Exonerações de diretores de hospitais
- Estrutura dos hospitais públicos
- Combate à Dengue
- Nota para a saúde pública do DF
Leia a entrevista
G1: O senhor vai pedir estado de emergência para a Saúde do DF novamente?
Osnei Okumoto: Não. Nós não precisamos mais disso em 2020. O decreto [assinado em 8 de janeiro] encerra agora, em 31 de dezembro. Nós não vamos renovar.
- G1: Quais são as maiores dificuldades na Saúde hoje?
Osnei Okumoto: A atualização. Hoje, todos os editais e protocolos precisam ser revistos. Precisamos melhorar o fluxo. Precisamos diminuir a burocracia. Esse é o grande desafio.
“Às vezes a burocratização ajuda na corrupção.”
Os processos ficam demorados, não saem do lugar. Muitos editais são de 2009 e ficaram desatualizados. Eles não acompanham a demanda.

Água das chuvas escorre por lâmpadas dentro de centro cirúrgico do Hospital do Gama, no DF
G1: Foi um ano de exonerações, principalmente na direção dos hospitais regionais. Isso trouxe algum benefício, resolveu os problemas?
- Osnei Okumoto: Dentro da rede, tem gente que está a favor de fazer um bom trabalho e tem gente que não quer. Muitas vezes, eu expliquei ao governador que não dava para resolver o problema da saúde em seis meses. A gente precisava desse tempo para poder mostrar que está aqui para fazer um bom trabalho. A gente precisava dessa intimidade da secretaria com superintendentes e diretores de unidades.
G1: As condições dos hospitais públicos do DF são críticas. Faltam leitos, aparelhos de ar-condicionado não funcionam, teve pediatrias fechadas e alagamento. O que o senhor tem a dizer sobre essa situação?
- Osnei Okumoto: Mesmo com a burocracia atravancada nós conseguimos fazer uma estruturação da rede. Fizemos algumas obras urgentes, como a manutenção predial de alguns hospitais – como o do Gama e o da Região Leste.
“No caso dos alagamentos, a gente percebeu que teve gente subindo nos telhados e quebrando telhas propositalmente.”
G1: E o que a Secretaria fez em relação a isso?
Osney Okumoto: A primeira medida foi esconder as escadas [por causa das obras, havia escadas no hospital]. Nós também vamos instalar câmeras de segurança. Existe um plano de monitoramento para os hospitais em 2020.
Tendas de hospital de campanha atenderam pacientes com suspeita de dengue no DF — Foto: Kenzô Machida/ TV Globo
G1: 2019 foi um ano de epidemia de dengue no DF e a época de maior incidência do mosquito está começando de novo. Qual o planejamento para a situação não se repetir em 2020?
- Osnei Okumoto: A dengue precisa de um planejamento anterior. As chuvas começam em novembro e o planejamento tem que ser feito bem antes. Nós adquirimos larvicidas, inseticidas, compramos novos materiais, arrumamos os que estavam estragados.
“O plano de contingência, que não foi feito no ano passado, nós temos agora.”
Fizemos treinamentos de agentes, temos uma nova legislação que permite entrar em domicílios fechados e também, apesar de não ser o melhor caminho, vamos multar os estabelecimentos comerciais que não seguem as medidas de segurança e não colaboram, com uma multa de R$ 2 mil. Isso vai gerar uma educação melhor da população. Nós também criamos uma sala distrital para acompanhar todas as nossas cidades.
“Acho que o surto [de dengue] vai ser grande no Brasil inteiro, mas aqui nós vamos conseguir controlar.”

Secretário da Saúde do DF Osnei Okumoto, fala sobre os seis primeiros meses da pasta em entrevista gravada em junho de 2019
G1: Qual nota o senhor daria para a Saúde no DF neste ano?
Osnei Okumoto: Eu não vou dar nota.
G1: Mas em junho o senhor deu nota 6,5. Hoje essa nota melhorou?
- Osnei Okumoto: Com certeza. Eu vi que entre os nossos profissionais há muita gente boa. Quando a gente dá infraestrutura, equipamento, insumos e medicamentos, eles fazem o trabalho deles. No começo, nós ainda não tínhamos condições. Não tinha leito, sala de cirurgia, luva. A gente precisou organizar. Comecei a andar nas unidades para saber o que estava precisando. O ano termina de forma positiva e 2020 será melhor.
Fonte: G1/DF



