A Apib e a deputada Célia Xakriabá denunciam agentes policiais por atos de violência
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou uma nota pública nesta sexta-feira (11) condenando a ação policial ocorrida na noite anterior (10), em frente ao Congresso Nacional. Segundo a entidade, a Polícia Militar e a Polícia Legislativa fizeram uso desproporcional da força para dispersar um protesto pacífico de lideranças indígenas. O ato reuniu cerca de 5 mil pessoas, de acordo com estimativa da organização.
O uso de bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta provocou mal-estar entre os manifestantes, afetando inclusive idosos e crianças, muitos dos quais precisaram de atendimento médico.
A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG), que participava do protesto, também foi atingida pelos gases. Em pronunciamento nas redes sociais, ela relatou ter sido impedida de deixar o local mesmo após se identificar como parlamentar. “Fui constrangida, agredida e precisei de cuidados médicos na própria Câmara dos Deputados”, declarou.
Em sua nota, a Apib criticou duramente a repressão. “O Congresso, além de aprovar leis inconstitucionais, ataca os povos indígenas e até seus representantes eleitos. A deputada Célia Xakriabá e várias pessoas ficaram feridas após serem recebidas com bombas, justamente no espaço que deveria representar a democracia”, diz o texto.
A parlamentar classificou a ação como “um ato claro de repressão ao movimento indígena” e destacou os aspectos estruturais da violência sofrida. “Esse episódio escancara o que denunciamos há tempos: a violência do Estado contra os povos originários e o racismo institucional presente nas estruturas de poder. É também violência política de gênero. Ser mulher indígena no Parlamento é resistir diariamente ao apagamento.”
Ela finalizou com um recado enfático: “Não vamos recuar. Não vamos nos calar diante da truculência. Nossa voz representa centenas de povos e territórios, e não será silenciada por bombas nem pelo autoritarismo.”
Fonte: Agência Brasil



