Projeto prevê revitalização do espaço no SAAN, ampliação das atividades econômicas e manutenção dos feirantes no futuro empreendimento
Da Redação
O Governo do Distrito Federal (GDF) dará início a um novo capítulo para a área onde funciona o Shopping Popular de Brasília, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN). Foi sancionada a lei distrital que autoriza a transferência do imóvel da União para o governo local, garantindo segurança jurídica para a revitalização do espaço e a implantação de um novo mercado municipal.
A medida ocorre após a assinatura do contrato de cessão pela governadora Celina Leão junto aos feirantes permissionários que atuam no local. O imóvel, situado próximo à antiga Rodoferroviária, deverá passar por ampla reestruturação depois de anos de subutilização e abandono.
O projeto prevê a transformação do espaço em um centro voltado ao comércio popular, à economia solidária e à agricultura familiar, além da criação de áreas destinadas à gastronomia, cultura, esporte e lazer. A iniciativa busca devolver função econômica e social ao complexo, que enfrenta dificuldades estruturais desde o encerramento do antigo termo de cessão, em 2017.
Integrado ao programa federal Imóvel da Gente, coordenado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o empreendimento faz parte da estratégia de reaproveitamento de imóveis públicos ociosos ou subutilizados em todo o país.
A previsão é que as obras e adequações sejam concluídas em até 36 meses. Pelo projeto apresentado, os atuais feirantes ocuparão 35% da área total do futuro mercado municipal, assegurando a continuidade das atividades comerciais desenvolvidas no local.
O restante da estrutura será destinado à instalação de restaurantes, espaços culturais, áreas de convivência e atividades esportivas. Parte do pavimento térreo também será cedida ao Ministério do Trabalho e Emprego, que implantará um centro de formação voltado à economia popular e solidária.
Espaço acumula desafios estruturais
Inaugurado em 2008, o Shopping Popular foi criado para receber ambulantes e camelôs que atuavam principalmente na Rodoviária do Plano Piloto. Em seu auge, o local chegou a reunir cerca de 1,5 mil boxes.
Com o passar dos anos, entretanto, o empreendimento perdeu movimentação comercial, registrou o fechamento de diversos estabelecimentos e deixou de receber investimentos estruturais após o término da cessão do imóvel.
Entre os desafios enfrentados pelos comerciantes está a precariedade da infraestrutura. A feirante Cleonice Maria de Jesus, que trabalha no Shopping Popular há quase duas décadas, relata que a falta de energia elétrica é um dos principais obstáculos para manter as vendas.
“Não temos luz e precisamos utilizar geradores pagos diariamente. Sem energia, não conseguimos utilizar máquinas de cartão nem atender os clientes adequadamente”, afirma.
A expectativa dos trabalhadores é que a regularização da área e a futura reforma garantam melhores condições de trabalho, maior fluxo de consumidores e a revitalização definitiva de um dos principais espaços de comércio popular do Distrito Federal.



