Governadora inicia disputa pelo Palácio do Buriti em Ceilândia, reúne lideranças conservadoras e transforma primeiro ato em demonstração de força política
A campanha de Celina Leão pela reeleição começou com uma mensagem clara: a disputa pelo Governo do Distrito Federal será construída nas ruas e nas regiões administrativas. Neste domingo (16), Ceilândia foi escolhida para receber o primeiro grande ato da campanha, que contou com a presença de Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves.
A presença das três lideranças deu ao evento um forte componente político e eleitoral. Michelle, que também disputa uma vaga ao Senado, declarou apoio à candidatura de Celina e pediu votos para a governadora. Bia Kicis e Damares reforçaram o palanque e ajudaram a formar uma imagem de unidade entre nomes de forte identificação com o eleitorado conservador brasiliense.
Mais do que marcar o início formal da caminhada eleitoral, o ato em Ceilândia procurou estabelecer o tom da campanha: proximidade com a população, presença nas cidades e defesa da continuidade da atual gestão.
Ceilândia como primeiro movimento
A escolha de Ceilândia não é apenas simbólica. A região está entre as áreas mais populosas do Distrito Federal e possui peso importante nas eleições.
Ao começar a campanha justamente em uma das maiores regiões administrativas, Celina sinaliza que pretende evitar uma disputa concentrada no Plano Piloto. A estratégia passa por levar a candidatura para onde estão os eleitores e transformar as entregas do governo em argumento eleitoral.
Saúde, educação, segurança, mobilidade, infraestrutura e serviços públicos deverão estar entre os temas utilizados para apresentar ao eleitor o balanço da administração e defender a permanência do grupo político no comando do Buriti.
A lógica é simples: para buscar um segundo mandato, Celina precisa transformar obras e serviços públicos em percepção concreta de mudança na vida da população.
Michelle Bolsonaro reforça o palanque
A participação de Michelle Bolsonaro acrescenta uma dimensão nacional à campanha brasiliense.
Ao pedir votos para Celina logo no primeiro grande ato, a ex-primeira-dama reforça uma aliança política que vinha sendo construída e que agora passa a ser apresentada publicamente ao eleitor.
A presença também ajuda Celina a dialogar com um segmento do eleitorado que mantém forte identificação com o bolsonarismo.
Ao lado de Michelle, Bia Kicis e Damares Alves, a governadora construiu uma fotografia eleitoral que combina força regional e identificação ideológica, dois elementos que podem ser importantes durante a campanha.
Uma eleição que começa antes da disputa nas urnas
Celina chega à disputa com Gustavo Rocha, do Republicanos, como candidato a vice e uma ampla composição partidária.
O desafio, daqui para frente, será transformar o apoio político em votos.
Isso significa ampliar a presença nas regiões administrativas, apresentar resultados da atual administração e convencer o eleitor de que a continuidade do projeto representa uma vantagem para o Distrito Federal.
Ao mesmo tempo, a governadora terá de enfrentar o debate sobre aquilo que ainda não foi entregue e responder às críticas dos adversários. Em uma eleição para o Executivo, o retrospecto da gestão costuma ter peso tão grande quanto as promessas para o futuro.
A estratégia da continuidade
A largada em Ceilândia revela uma escolha narrativa importante: Celina pretende disputar a eleição não apenas como candidata, mas como gestora que busca a oportunidade de continuar um projeto iniciado no governo atual.
A campanha deverá explorar a presença do GDF nas regiões administrativas e os investimentos realizados durante a gestão, enquanto tenta construir uma percepção de que a continuidade pode acelerar projetos já iniciados.
A mensagem apresentada no primeiro ato pode ser resumida em três palavras: força, união e continuidade.
Com Michelle Bolsonaro pedindo votos, lideranças importantes do campo conservador ao seu lado e uma estrutura partidária ampla, Celina Leão começa a corrida pelo Palácio do Buriti mostrando que pretende fazer das regiões administrativas o principal território da sua campanha.
A partir de agora, começa a etapa mais difícil: transformar a força demonstrada na largada em uma maioria de votos quando chegar a hora de o eleitor escolher quem comandará Brasília pelos próximos quatro anos.
Por Rodrigo Albuquerque


