Documentos da imigração argentina mostram três registros de entrada de Flávio Bolsonaro em 34 minutos

Por: Redação SOS

Documentos do sistema de imigração da Argentina revelaram novos detalhes sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Os registros mostram três entradas do senador na Argentina, na mesma van, na noite de terça-feira, 27 de outubro, em um intervalo de 34 minutos: às 22h37, com passaporte italiano; às 22h40, com carteira de identidade; e às 23h11, com passaporte brasileiro. Os dois registros feitos com documentos brasileiros foram posteriormente cancelados, e ficou válido apenas o ingresso com o passaporte italiano.

O registro migratório, por si só, não comprova a forma como a travessia física da fronteira ocorreu, já que duas das três entradas foram anuladas no próprio sistema.

Segundo os documentos, duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., de Foz do Iguaçu, cruzaram a fronteira naquela noite. Na van que saiu de Cascavel, no oeste do Paraná, constavam os dados da mulher do senador, Fernanda, e das duas filhas do casal. Na outra van estavam registrados o motorista e dois passageiros, entre eles o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O motorista da van afirmou, em entrevista, que foi contratado para buscar dois homens em um posto de gasolina em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú, e negou ter visto membros da família Bolsonaro. A empresa de turismo publicou nota negando ter transportado o senador.

O jornalista argentino Nicolás Munafó, que estava no aeroporto de Puerto Iguazú quando a comitiva chegou, relatou ter visto uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina na frente do comboio, seguida por duas caminhonetes com placas do Brasil e outras duas argentinas, uma delas com placa diplomática.

O caso passou a ser questionado oficialmente na Argentina. A Justiça do país determinou a preservação das imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú. A deputada argentina Marcela Pagano cobrou explicações do governo de Javier Milei sobre o controle migratório, a escolta policial e o uso de veículos diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores. O secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, respondeu que o governo não tem nada a declarar.

Da Argentina, o senador e a família seguiram para os Estados Unidos em um jato Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly, com escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador. O desembarque ocorreu na manhã de quarta-feira, 28, no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na Flórida, um dia depois dos registros na fronteira.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois que o Supremo Tribunal Federal determinou que ele entregasse os passaportes à Polícia Federal. O advogado Frederick Wassef, que representa o senador, afirmou que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada e negou que a saída do país tenha sido uma fuga.

Por Redação SOS Brasília – Rodrigo Albuquerque

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