No último debate antes da votação, Lula e Flávio discutem obras, salário mínimo e dívidas e trocam ofensas

Por: Redação SOS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram na noite desta sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, do último debate antes do segundo turno de domingo (25). O encontro, promovido pela TV Globo com mediação do jornalista César Tralli, teve discussões sobre infraestrutura, salário mínimo, endividamento das famílias, agronegócio, aposentadorias e saúde, além de uma troca de ofensas que incluiu os termos “nove dedos” e “miliciano”.

Logo na abertura, dedicada a infraestrutura e exportação, Flávio afirmou que o Tribunal de Contas da União aponta mais de 11,5 mil obras paralisadas do atual governo e chamou o país de “cemitério de obras”. Lula respondeu que seu governo herdou 6 mil obras paradas e citou projetos em andamento, como a BR-319, entre Porto Velho e Manaus, a Transnordestina, a Ferrovia de Integração do Oeste e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste. “Não é que vão fazer: estamos fazendo”, disse o presidente. Flávio prometeu concluir a Transnordestina e construir o eixo Sul ferroviário, ligando o Centro-Oeste ao Paraná e a Santa Catarina.

No bloco sobre o Sudeste, o salário mínimo dominou o embate. Flávio atribuiu ao governo a perda de poder de compra e questionou o endividamento das famílias. Lula afirmou que os governos petistas reajustaram o salário mínimo acima da inflação e disse que, sem essa política, o piso estaria em R$ 900. Ao criticar a carga tributária, Flávio declarou: “Não adianta o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”. Ao final, o senador se comprometeu a reajustar o salário mínimo acima da inflação, caso eleito.

Na rodada sobre o Centro-Oeste e o agronegócio, Lula afirmou que o Brasil abriu 700 novos mercados externos e teve superávit comercial de quase R$ 85 bilhões, e criticou a relação do adversário com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lembrar as tarifas impostas a produtos brasileiros. Flávio respondeu que produtores rurais enfrentam juros reais próximos de 20% para financiar a safra e prometeu garantir recursos para o seguro rural e o Plano Safra, sem contingenciamento.

Aposentadorias, dívidas da população e o funcionamento do SUS também foram tema de confronto direto, em um debate marcado por interrupções e acusações mútuas. A transmissão contou com verificação de declarações em tempo real, com equipe de mais de 30 jornalistas de checagem.

Os dois candidatos encerram neste sábado (24) os atos de rua das campanhas. A votação do segundo turno é domingo (25).

Por Redação SOS Brasília – Rodrigo Albuquerque

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