Eu poderia definir a vitória do Chelsea sobre o Palmeiras, dizendo que ganhou aquele time que foi melhor em campo.
Mas, para isso, seria preciso que o time inglês, que apresentou maior volume de jogo no tempo regulamentar e na prorrogação, tivesse traduzido essa superioridade tática em chances de gol, algo que não aconteceu.
Nenhum dos contendores teve atuação de gala no tocante à ofensividade, pois nem o goleiro Weverton, nem o goleiro Mendy foram exigidos a praticar defesas difíceis para salvar suas equipes de terem suas metas vazadas.
As duas oportunidades que tiveram para mostrar serviço foram nas cobranças das penalidades, mas ambas foram tão bem executadas que Raphael Veiga, pelo Palmeiras, e Havertz, pelo Chelsea, não deram a menor chance de defesa para os guarda-valas.
O Palmeiras saiu de campo de cabeça erguida. Contudo, não dá para os palmeirenses dizerem que seu time perdeu a decisão do Mundial através de bola parada, já que, se lances dessa natureza não tivessem acontecido, o jogo teria terminado com o resultado de 1 a 0 para a equipe londrina.
Afinal, não se pode invocar o gol de pênalti do Chelsea como o responsável pela vitória e excluir o do Palmeiras, também de penalidade, como fator determinante da sobrevivência palmeirense no tempo regulamentar da partida, pois sem ele não teria havido a prorrogação e o segundo gol do time inglês não teria sido necessário.
Não se pode dourar a pílula, classificando o confronto como um grande espetáculo de futebol, que na verdade não aconteceu, apenas por se tratar de uma decisão do Mundial de Clubes.
O que se viu neste sábado, no esperado confronto, não passou de um jogo comum, sem grandes emoções. Nada que o Al Aly e o Al-Hulal não pudessem apresentar, caso fossem os finalistas do campeonato de clubes da FIFA.
Mesmo que o Chelsea tenha revelado um futebol mais contundente do que o do Palmeiras, não é lícito dizer, contudo, que foi através da técnica que bateu o representante brasileiro, ficando com o título do Mundial.
O que fez a diferença, levando o fiel da balança a pender para o lado do time europeu, foi a excelência do seu plantel, que é mais qualificado do que o do Palmeiras, como não poderia ser diferente, já que o Chelsea é melhor aquinhoado financeiramente do que o alviverde paulista.
Por conta deste handicap, o Chelsea pôde se dar ao luxo, na prorrogação, de substituir seus jogadores extenuados pelo esforço feito nos 90 minutos por atletas de nível equivalente ao dos substituídos, enquanto o adversário não teve como contar com esse fator favorável, pelo fato de não possuir peças de reposição à altura daqueles que deixaram o campo no momento derradeiro da decisão.
O atacante Dudu, por exemplo, que deixou o gramado ,”no bagaço”, como se diz popularmente, além de não ter repetido a excelente atuação do jogo da semifinal, não encontrou um substituto capaz de fazer contra o Chelsea tudo aquilo que ele fez na partida contra o Al Aly.
A derrota do Palmeiras na grande Final, logicamente, frustrou sua entusiástica torcida, mas não pode ser considerada uma surpresa para ninguém, como igualmente não teria sido caso saísse vencedor, trazendo o cobiçado troféu para o Allianz Parque.
Temos de convir contudo que, no terreno da rivalidade regional, esse malogro palmeirense pode dar margem a que alguns corintianos se sintam no direito de zoar aos ouvidos da torcida rival pelo fato de ter sido exatamente em cima do Chelsea, o carrasco do Palmeiras, que o seu time conquistou o Mundial de Clubes da FIFA.



