Grêmio repete fiasco de 2019, no Maracanã, e se despede da Libertadores com goleada na Vila Belmiro

Por: Lino Tavares

Pelo segundo ano consecutivo o Grêmio de Renato Portalupi é eliminado da Libertadores de maneira vexatória e isso precisa ser explicado.

A primeira aconteceu no ano passado, quando o tricolor foi goleado pelo Flamengo, no Maracanã, por 5 a 0. Nesta quarta-feira, o fiasco se repetiu na Vila Belmiro com essa derrota humilhante para o Santos pelo dilatado placar de 4 a 1.
Como falei no primeiro parágrafo, essas duas vergonhas gremistas carecem de uma explicação e ela não se consubstancia numa suposta inferioridade técnica gritante do time do Grêmio, tanto em relação ao Flamengo que o goleou no ano passado quanto ao Santos que o massacrou no mata-mata desta quarta-feira. 

O Flamengo de Jorge Jesus tinha sim mais time do que o Grêmio, mas não para justificar o tamanho da goleada que aplicou no visitante tricolor gaúcho naquele jogo de volta da Libertadores.

Já o Santos destes 4 a 1, pelo contrário, até pelos desfalques ocorridos por diversas razões, não teria bala na agulha para aprontar para cima do Grêmio do jeito que aprontou. se algo muito grave não tivesse levado o time de Renato a jogar tão mal.

Isso posto, vamos à explicação cabível, que repousa na pobreza espiritual do treinador Renato, que de longa data, tanto no tempo de jogador quanto nesta fase vitoriosa como treinador, sempre provocou dissabores na sua brilhante trajetória futebolística.

Há quem diga que Renato é um grande motivador e isso não é mentira, mas o tipo de motivação que ele transmite só se aplica no plano individual, descobrindo novos craques e os incentivando a deslanchar na carreira, 

Ela não se estende à equipe como um todo, pois através do seu jeito “falastrão” Renato Portalupi tem colocado a perder o status psicológico de seu time, criando-lhe situações embaraçosas ao “cutucar os adversários, não raro, com vara curta”.

Precisava Renato ter alardeado que o Grêmio, na sua opinião, é o melhor time do Brasil e, como se não bastasse, ter dado a entender que sua equipe já estava praticamente na semifinal da Libertadores, num claro menosprezo ao time do Santos ?

Ao fazer isso, o treinador gremista entregou ao adversário a motivação de que seu técnico, o discreto e competente Cuca, precisava para implantar na cabeça de seus jogadores a ideia de que estavam na obrigação de provar o contrário dentro das quatro linhas, empenhando-se da forma como o fizeram tanto no jogo de ida quanto no confronto de volta.    

Mas a culpa de Portaluppi, nessa derrota desproporcional à equidade técnica existente entre os dois contendores, não para por aí.
Temos de convir, também, que o Grêmio foi mal escalado em ambos os jogos diante do Peixe. No primeiro, Renato insistiu com o limitado Luiz Fernando no ataque, deixando no banco e só colocando nos minutos finais a nova revelação gremista chamada Ferreirinha. 

Por questão de teimosia ou esquecimento, Renato desconsiderou o fato de que no jogo de ida diante do Peixe, o Grêmio só conseguiu jogadas efetivas no seu sistema ofensivo depois que colocou Ferreirinha em campo, sendo dos pés desse jogador que saiu o cruzamento que resultou na penalidade, possibilitando aquele empate chorado em 1 a 1, alcançado nos acréscimos com auxílio do VAR.

Mesmo ciente disso, Renato voltou a insistir com Luiz Fernando neste jogo decisivo e mais uma vez seu time realizou um primeiro tempo ruim, no qual se limitou a ver o Santos atacar sem responder as investidas santistas nem mesmo com jogadas de contra-ataque. 

Quando Renato se deu conta de que Ferreirinha poderia acabar com a apatia ofensiva gremista, realizando as jogadas que o irreconhecível Pepê deixava de realizar pela esquerda do ataque, o tempo já estava curto para uma reação, pois o Santos surfava no folgado placar construído em cima dos inexplicáveis erros do adversário.  

Mesmo assim, o Grêmio conseguiu o seu gol de honra, decorrente mais uma vez de um dos vários cruzamentos de Ferreirinha, a meu ver o maior desperdício gremista nestes dois jogos pelas quartas de final da Libertadores. 

Outro equívoco de Renato foi escalar Jean Pyerre fora das condições físicas ideais só para agradar a alguns setores dessa mesma mídia afoita que exige vacinação contra a Covid-19, ainda que nenhuma vacina esteja cem por cento aprovada. 

O prejuízo dessa escalação foi enorme para o Grêmio, já que foi a partir de uma bobeada de Jean Pyerre, talvez por limitação física, que o Grêmio sofreu o gol relâmpago a 14 segundos do início do jogo, abalando-se psicologicamente nos minutos subsequentes. 

Outra questão intrigante diz respeito ao fato de o excelente zagueiro Kannemann não ter entrado em campo, enquanto seu eficiente companheiro Geromel tinha que se virar quase sozinho para evitar que o ataque santista vazasse ainda mais do que vazou a desprotegida meta defendida por Vanderlei ?

A explicação que se tem é que o Zagueiro argentino não estaria nas condições físicas ideais para atuar na zaga gremista, mas isso não justifica sua ausência na partida durante os90 minutos, pois se era assim não deveria nem ter ficado no banco.  

No que tange  a projeções sobre os dois brasileiros que restaram na disputa da Libertadores, eu não vejo com otimismo a possibilidade de algum deles chegar ao título deste ano, tal como o Flamengo chegou com mérito à conquista do ano passado.

É verdade que o Palmeiras vem fazendo a melhor campanha da competição, mas ainda não encontrou pela frente uma equipe à altura para provar que nesse torneio é realmente o bicho papão que alguns acreditam ser.

O alviverde de Abel Ferreira vai ter que nos provar isso – e eu acho difícil que consiga – passando, ao que tudo indica, por nada menos do que o hiper copeiro River Plate, que praticamente já carimbou seu passaporte para a semifinal, vencendo no jogo de ida o fraco Nacional de Montevidéu pelo placar de 2 a 0.

Quanto ao Santos, que tem um time um pouco inferior ao do Palmeiras, só vejo a possibilidade de se tornar finalista do torneio continental se tiver como adversário na semifinal a mediana equipe do Racing. 
Se, contudo, lhe sobrar o Boca Juniors na semifinal, fruto dessa decisão atrasada das quartas de final, tudo faz crer que o Peixe estará mais para dançar tango na Bombonera do que para sambar na grande final do Maracanã.

Fonte: Lino Tavares

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