O Palmeiras passou fácil pelo Grêmio no Allianz Parque e chegou ao tetracampeonato da Copa do Brasil, como já era esperado.
O 2 a 0 não retrata a pleno o que aconteceu no jogo, pois o destempero gremista nos últimos minutos do confronto escancarou ao dono da casa a possibilidade de um placar mais elástico, tal a fragilidade defensiva gremista entregue aos cuidados de um só zagueiro.
Tal como havia acontecido na derrota do jogo de ida, em Porto Alegre, Renato escalou mal o time e, quando viu a vaca indo para o brejo outra vez, o técnico gremista entrou em pânico e apelou para um tudo ou nada da maneira mais irresponsável possível.
Lembrou de Ferreirinha tardiamente, mais uma vez, e o colocou em campo no lugar de Pepê que não vinha jogando bem, mas sendo um atacante técnico e veloz requer marcação permanente, abrindo caminho para a penetração de seus companheiros de ataque.
Provando sua total falta de critério, Portaluppi acabou com o sistema defensivo do Grêmio, tirando Kannemann e entupindo o time gremista de atacantes, como se dois centroavantes (Diego Souza e Churin) juntos pudessem fazer outra coisa em campo a não ser bater cabeça.
O único fiozinho de esperança que restava à torcida do Grêmio, acerca de uma sonhada virada nessa decisão de 180 minutos que seu time perdia de 1 a 0, só existiu nos primeiros minutos de jogo, quando o tricolor esboçou a falsa impressão de que iria para cima do Palmeiras, com boa troca de passes que até lhe propiciou uma chance de gol desperdiçada por Pepê.
Mas a aparente reação gremista logo foi se desfazendo quando os erros de passes voltaram a acontecer, permitindo ao time palmeirense retomar as rédeas da partida, passando a criar jogadas ofensivas que deixavam atônita a atabalhoada zaga tricolor.
Não tardou muito para o time de Abel Ferreira abrir o placar, mas a fustigada equipe do Grêmio teve sorte, porque o juiz viu um impedimento quase imperceptível e anulou o gol palmeirense.
De nada adiantaria, contudo, esse gol anulado que manteve o Grêmio vivo na grande decisão, pois no segundo tempo o Palmeiras abriu o placar e logo depois chegou ao segundo gol, ficando com a mão na taça, diante da quase certeza de que o esquadrão gaúcho já não tinha pernas nem futebol para fazer os três gols de que precisava para sobreviver na disputa.
Está mais do que claro que o tricolor precisa mudar urgentemente a sua estrutura de time, não apenas contratando novos jogadores, mas também trazendo para a Arena um técnico capaz de implantar um novo estilo de jogo na equipe.
Tudo o que Renato podia fazer de positivo treinando o time do clube que o projetou ele já fez, chegando a resultados positivos que ficarão na lembrança, mas jamais se repetiram nos anos subsequentes a essas conquistas.
O ciclo de Portaluppi na Arena chegou ao fim, há bastante tempo. Eu diria que ele revelou ter se exaurido naquela semifinal da Copa do Brasil, que o Grêmio perdeu para o Furacão, na Arena da Baixada, depois de ter vencido o jogo de ida em Porto Alegre pelo placar de 2 a 0.
De lá para cá, os gremistas passaram a viver de ilusão, sonhando com a repetição das conquistas de 2016 e 2017, algo que o time de Renato não chegou nem perto de conseguir, pois suas campanhas, tanto no Brasileirão como na Copa do Brasil e na Libertadores, jamais passaram de jornadas mediocres que não levam a lugar algum.
A única coisa que o Grêmio conseguiu, depois da era das grandes conquistas, foi vencer o Gauchão e assim mesmo praticando um futebol de pouco qualidade técnica, como se viu no campeonato gaúcho do ano passado, que ganhou em cima do Caxias no saldo de gols, mas sendo derrotado no jogo final da decisão.
Pode até parecer injuto pregar a saída de Renato do Grêmio, depois de tão auspiciosa passagem pelas hostes tricolores. Contudo, não há como defender a continuidade de um técnico que começa um jogo decisivo em desvantagem, escalando o mediano Thaciano no meio-campo e deixando no banco Jean Pyerre e Ferreirinha, este último representando a mais recente revelação oriunda da base tricolor, por cuja titularidade a torcida clama durante às 24 hora d dia.
Fonte: Lino Tavares UOL



