BRASILEIRÃO 2020/ COM TIME MISTO, INTER VENCE EM SP E AUMENTA DISTÂNCIA DO VICE-LÍDER NA TABELA

Por: Lino Tavares

Grêmio perde na Arena para o Sport e fica fora o Z4 pelo saldo de gols

Foto: Globo Esporte

Faz mais de duas décadas que tenho martelado numa tecla que consiste em dizer que a era da rivalidade regional precisa ser relegada ao plano secundário, para não roubar espaço de tempo precioso que pode ser dedicado  aos preparativos com vistas às disputas de âmbito nacional e internacional.  Os dirigentes dos grande clubes precisam ter em mente que conquistas estaduais não servem de lenitivo para amenizar a tristeza motivada por eventuais fracassos nas competições de grande envergadura que sucedem aos velhos e desbotados campeonatos paroquianos.  Tomando como exemplo o futebol gaúcho, a história tem demonstrado que na velha comparação entre Grêmio e Internacional, o clube que tem dado maior alegria à sua torcida no decorrer de cada temporada não é aquele que começa o ano vencendo o Gauchão, mas o que apresenta melhor campanha nos certames nacionais e, não raro, na Copa Libertadores da América.    Neste ano, a situação não está sendo diferente. Enquanto o Inter, que não vence o certame regional há quatro anos, faz uma campanha esplendorosa, liderando com relativa folga o campeonato brasileiro, o rival, tricampeão gaúcho, vive um momento sofrível na competição, estando agora à beira da Zona de Rebaixamento.  Na sua sexta participação no certame nacional, o Grêmio perdeu em casa para o Sport, por 2 a 1, nesta-quarta feira, mantendo sua campanha medíocre representada por apenas uma vitória e quatro gols marcados.  É claro que não dá ainda para fazer terra arrasada na equipe comandada por Renato Portaluppi, mas a campanha ruim permite afirmar com toda segurança que daquele Grêmio soberbo que ganhou a Copa do Brasil e a Libertadores, há menos de cinco anos, pouca coisa resta.   A queda de padrão do time gremista passou a ser percebida com nitidez a partir do momento em que o time se viu desfalcado do futebol de jogadores de alto nível que integraram essa equipe super vitoriosa de poucos anos atrás. O primeiro desse desfalques foi Luan, que depois de ter sido eleito melhor jogador da América entrou numa fase de declínio técnico agravado por um problema de lesão que o fez ficar fora do time por um longo período. Quando voltou à equipe recuperado fisicamente, Luan deixou para trás aquele grande futebol que o havia notabilizado nas jornadas anteriores.  Fruto dessa queda de padrão, o meia-atacante gremista não conseguiu cair na cobiça do milionário futebol europeu, tendo que se contentar com uma transferência no âmbito do futebol brasileiro, vestindo hoje a camisa do Corinthians. Como se não bastasse a perda do bom futebol de Luan, o tricolor dos Pampas, por uma questão de sobrevivência financeira, teve que se desfazer de Arthur, vendido ao Barcelona, no momento em que era considerado o melhor meio-campista do país. A reboque desses dois craques, o Grêmio perdeu ainda nessa era regressiva de padrão técnico outros importantes jogadores,  como Éventon cebolinha, recentemente transferido para o Benfica de Portugal.  É forçoso admitir que essas lacunas abertas no plantel gremista não foram preenchidas à altura do desejável, já que os jogadores convocados para ocupar esses espaços não são nem sombra dos craques a quem substituem.  Trocando em miúdos, vale dizer que Jean Pyerre está longe de ser o Luan da Libertadores, o mesmo acontecendo com Matheus Henrique, em relação a Arthur, e Pepê ou Éverton em relação a Cebolinha. Nem mesmo o goleiro Vanderlei, quando comparado a Marcelo Grohe, escapa dessa queda de qualidade do onze gremista.   O que sobrou de altamente positivo daquele Grêmio quase imbatível de 2016 e 2017 foi a formidável dupla de área Kannemann e Geromel, mas nem esse duo defensivo tem repetido ultimamente aquele elevado nível de rendimento de jornadas passadas. Resumo da ópera. Enquanto o tricampeão gaúcho, invicto há quatro grenais, começa a conviver neste campeonato com o espectro do Z-4 em seus calcanhares, o colorado de Eduardo Coudet, que não vê a cor da taça do Gauchão há quatro anos, dispara ainda mais na liderança do Brasileirão, agora com três pontos à frente do vice-líder São Paulo, que levou uma goleada de 3 a 0 do Atlético Mineiro nesta quinta-feira.  Cumpre observar ainda que o Internacional aumentou sua margem na liderança do campeonato ao colher um ponto precioso empatando com o Palmeiras em 1 a 1, na casa do adversário, onde se deu ao luxo de atuar com um time misto integrado de apenas quatro titulares.   É claro que esse estado de graças colorado não permite prognosticar que o Internacional já possa ser visto como virtual campeão brasileiro de 2020, pois afinal não foi disputada ainda nem uma terça parte do campeonato. Além disso,  outros candidatos ao título  tendem a crescer na competição, como o Flamengo que tem um time diferenciado e começa a dar sinais de estar reentrando seu grande futebol, como deixou transparecer no jogo de ontem, quando venceu o Bahia por 5 a 3.  Por outro lado,  é igualmente cedo para se levantar a hipótese de que esse mau momento do Grêmio no Brasileirão possa representar uma ameaça de queda do tricolor gaúcho para a série B, neste ano de 2020.  Contudo,  a opaca campanha do time treinado por Renato Gaúcho, a essa altura do campeonato,  soa como um sinal de alerta de que o técnico gremista vai ter que trabalhar muito para fazer seu time aspirar melhor sorte no Brasileirão e participação honrosa na Copa do Brasil e na continuidade da Libertadores da América que vem aí. 

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Foto: UOL

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