Naja de Brasília agora é naja do Butantan

Serpente que picou estudante no DF, em julho, deu origem a uma investigação sobre tráfico de animais. Veja como ela se adaptou, em São Paulo, para onde foi levada

A cobra naja, que picou o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Krambeck, em julho passado, em Brasília, vive hoje no Instituto Butantan, em São Paulo. O acidente com a serpente – considerada uma das mais venenosas do mundo – deu origem a uma investigação sobre o tráfico de animais exóticos no Distrito Federal.

A naja foi transferida para o Butantan em agosto. Depois de passar por uma quarentena, ela foi levada para o Museu Biológico, criado para ajudar na conscientização sobre a importância de respeitar as espécies.

Segundo o diretor do museu, Giuseppe Puorto, a serpente se adaptou bem ao novo ambiente. Por causa da pandemia do novo coronavírus, o espaço está fechado. No entanto, quando reabrir, a naja de Brasília – que agora é do Butantan – poderá ser vista pelo público.

“Nossa intenção, com esse animal, é fazer um trabalho de educação ambiental mostrando o problema de ter um animal exótico e peçonhento, que entrou no Brasil ilegalmente”, diz Puorto.

A naja e o estudante de veterinária do DF

Estudante picado por naja tem melhora — Foto: Arquivo pessoal; Ivan Ma
Estudante picado por naja tem melhora — Foto: Arquivo pessoal; Ivan Ma

Após ser picado pela naja, Pedro Krambeck ficou cinco dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em um hospital particular de Brasília. O jovem, com 22 anos à época, criava a serpente de maneira ilegal, em casa, segundo investigação da Polícia Civil do DF.

A cobra foi abandonada perto de um shopping, no Lago Sul, e resgatada pela Polícia Militar Ambiental. Depois, ela ficou sob os cuidados do Zoológico de Brasília, assim como outras 16 serpentes apreendidas em um haras, na região de Planaltina.

Cobra Naja que picou estudante de veterinária é encontrada perto de shopping no DF
Cobra Naja que picou estudante de veterinária é encontrada perto de shopping no DF

O animal ganhou fama nas redes sociais e participou até de um ensaio fotográfico. Como o zoológico não poderia ficar com a espécie exótica – originária de regiões da África e da Ásia – a serpente foi levada para o Butantan.

Publicação nas redes sociais faz brincadeira com 'pose' da Naja resgatada no DF — Foto: Twitter/Reprodução
Publicação nas redes sociais faz brincadeira com ‘pose’ da Naja resgatada no DF — Foto: Twitter/Reprodução

Preso por tráfico de animais exóticos, Pedro e outros três acusados se tornaram réus por associação criminosa. Em setembro, a Justiça do DF aceitou a denúncia do Ministério Público (MPDFT) contra o estudante de medicina veterinária, a mãe dele, o padrasto e um amigo. Se tornaram réus:

  • Pedro Henrique Krambeck: vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais e exercício ilegal da medicina veterinária;
  • Rose Meire Lehmkuhl (mãe do estudante): vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais, fraude processual, corrupção de menores e por dificultar a fiscalização do poder público em questões ambientais;
  • Eduardo Condi (padrasto do estudante): vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais, fraude processual e corrupção de menores;
  • Gabriel Ribeiro (amigo do estudante): vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais, fraude processual e corrupção de menores.

Ao G1, à época, a defesa de Gabriel Ribeiro afirmou entender que “a denúncia repete os mesmos equívocos do relatório policial”. Disse ainda que, “diante da absoluta falta de provas em relação a alguns crimes, seguimos confiantes na inocência de Gabriel”. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos demais réus.

Cobra da espécie naja no Zoológico de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução
Cobra da espécie naja no Zoológico de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução

Entre as 11 pessoas indiciadas pela Polícia Civil em agosto, por suspeita de tráfico de animais silvestres, o Ministério Público denunciou apenas as mais próximas ao estudante Pedro Krambeck. Segundo o promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Paulo José Leite, outros cinco suspeitos terão direito a um acordo de não persecução penal.

A medida, voltada para crimes com penas menores, prevê que os acusados paguem multa ou prestem serviços comunitários para que não sejam julgados pela Justiça. Entre os beneficiados está uma professora da faculdade onde Pedro Henrique Krambeck estudava.

Um outro amigo de Pedro conseguiu o direito a transação penal, o que significa que ele concordou em seguir condições determinadas pelo Ministério Público para que não haja oferecimento de denúncia. Assim, as acusações contra ele também não serão analisadas por um juiz.

Fonte: G1 |  Isabella Melo, TV Globo

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