De acordo com dados dos cartórios de todo o país, em 2020 o índice foi de 13,6%
Redação SOS Brasília
Dos 927.568 registros de óbito no primeiro semestre no país, 314.036 foram por covid-19. Os números estão no Portal da Transparência do Registro Civil e foram atualizados até a madrugada de hoje (1º).

Os dados do portal são atualizados duas vezes por dia e seguem os prazos legais. A família tem até 24 horas após o falecimento para registrar o óbito em cartório, porém esse prazo foi estendido para 15 dias por causa da pandemia. O cartório tem até cinco dias para efetuar o registro de óbito e depois até oito dias para enviar o ato à Central Nacional de Informações do Registro Civil, que atualiza a plataforma online. Portanto, os números ainda podem mudar.
Até o momento, os dados oficiais do Ministério da Saúde somam 518.066 mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil desde o início da pandemia.
O registro de óbitos por covid-19 vem caindo. Em março, a média móvel de mortes dos últimos sete dias chegou a 3.357 no dia 30. Foi o ponto mais alto do primeiro semestre. Em junho, essa média ficou entre 1.600 e 2.000 óbitos. O mês termina com uma média móvel de 592 mortes. Apesar da incidência de casos continuar acima de 70 mil novos casos diários. No pico da pandemia no ano passado, entre o fim de maio e o fim de agosto, a média móvel de óbitos ficou em torno de 1.000 registros por dia.
Óbitos em excesso
No ano passado, dos 1.460.991 registros de óbito emitidos no país, 198.547 tiveram como causa a covid-19, o que equivale a 13,59% do total. Foram cerca de 190 mil mortes a mais em 2020 do que em 2019 no país. Para Costa, a única explicação para esse excedente de óbitos é a pandemia.
“Morreu um número muito maior de pessoas. A única diferença dos anos anteriores para o ano passado e este ano é o coronavírus. Nossos números são muito altos, espero que com a vacinação eles diminuam”, disse.
Somente no primeiro trimestre deste ano, o aumento no número de registros de óbitos no país foi de 40%. Segundo a Arpen, em maio de 2021, apesar da queda nos registros em relação a março e abril, os óbitos ainda ficaram 70% acima da média de registros mensais da pandemia, iniciada em março de 2020.
Turra explicou que esse excesso de mortalidade é uma combinação de efeitos diretos e indiretos, resultantes tanto dos óbitos por covid-19 como por outras causas como o estrangulamento do sistema de saúde e mudança de comportamento dos indivíduos.
As informações foram dadas pelo professor no evento online UFMG Talks em Casa.
Idosos
No mesmo evento, a professora e pesquisadora Sandhi Barreto, do Departamento de Medicina Preventiva da UFMG, lembrou que o Brasil tem despontado pelos piores indicadores de mortes por milhão de habitantes nessa pandemia, ultrapassando a média de uma morte por minuto em 2021.
Entre as quase 520 mil vítimas da covid-19 no Brasil, 29.145 tinham 90 anos ou mais, sendo que desse total 1.576 tinham 100 anos de idade ou mais. Com base nas projeções da população para 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso equivale a 3,40% dos brasileiros com 90 anos ou mais perdidos para a pandemia.
Por faixas etárias, o Brasil perdeu 0,69% das pessoas de 60 a 69 anos de idade, 1,28% entre 70 e 79 anos de idade e 2,30% dos idosos de 80 a 89 anos de idade, segundo os óbitos registrados por idade no site dos cartórios especial da covid-19. Para a população total, a pandemia levou 0,24% dos brasileiros entre 16 de março de 2020 e 28 de junho de 2021.
Expectativa de vida diminui
Com a perda dos idosos pela covid-19, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer diminuiu em, pelo menos, dois anos, segundo aponta um estudo da UFMG em colaboração com as universidades norte-americanas de Harvard, do sul da Califórnia e de Princeton, publicado na plataforma MedRxiv. O estudo foi baseado nos dados do ano passado, mas com o recrudescimento da pandemia, em 2021 o índice será ainda pior.
Segundo o levantamento, pessoas nascidas no ano passado viverão, em média, 1,94 ano a menos do que se esperaria, de volta aos patamares de 2013. Essa é a primeira queda desde a década de 1940. De acordo com o IBGE, uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos de idade. Para os homens eram 73,1 anos de idade e para as mulheres 80,1 anos de idade.
O estudo indica que, na faixa etária dos 65 anos de idade, a redução da expectativa de vida no ano passado foi de 1,58 ano, o que coloca o Brasil de volta aos níveis de 2009. Entre as unidades da federação, a queda na expectativa de vida ao nascer foi maior no Distrito Federal, com uma diminuição de 3,68 anos.



