Jacarezinho: Defensoria Pública vai ao STF

Por: Redação SOS
Órgão quer investigação que analise se a operação descumpre a ordem que proíbe operações em comunidades do Rio durante o período de pandemia
Órgão quer investigação que analise se a operação descumpre a ordem que proíbe operações em comunidades do Rio durante o período de pandemia

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro se manifestou sobre a operação Exceptis, realizada nesta quinta-feira (6/5), pela Polícia Civil do estado. No episódio, 25 pessoas, sendo um policial, morreram na comunidade do Jacarezinho, na zona norte da capital fluminense.

Os delegados condutores da operação apresentaram posteriormente um balanço, no qual afirmam que houve planejamento rigoroso e que criminosos que não reagiram foram presos.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo era combater grupos armados de traficantes de drogas vinculados à facção Comando Vermelho que estariam aliciando crianças para o crime. Vídeos gravados por moradores, que mostram a tensão na comunidade e registram imagens de mortos, circularam nas redes sociais.

Violência policial

Segundo o anuário divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a polícia do Rio de Janeiro desponta nos indicadores de letalidade. O último balanço divulgado, com dados de 2019, registra 1.810 óbitos decorrentes de intervenções policiais.

A defensora pública Maria Júlia classificou o episódio de “chacina” e criticou também a falta de transparência dos responsáveis pela operação. “Até agora a gente não sabe que crianças são essas, se elas foram resgatadas, que tipo de acompanhamento será garantido. A gente não tem ideia. Não temos absolutamente nenhum dado. Não sabemos quem são essas crianças. Nada foi apresentado. O que temos de concreto são 25 mortos e três pessoas feridas.”

A defensoria irá ao STF solicitando por uma investigação capaz de apontar se a operação no Jacarezinho descumpriu a decisão de Fachin – que proíbe operações nas comunidades do Rio durante o período de pandemia, por excessão de ‘excepcionalidades’. Por fim, pedirão que seja melhor definida quais são as situações de excepcionalidade. Após a repercussão da operação, Fachin já determinou que a ADPF 635 seja apreciada no plenário do STF, o que deve ocorrer a partir do dia 21 de maio.

Com informações de Agência Brasil

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