Líderes de diversas etnias e regiões do país relatam falta de vacinas e pessoal especializado para atender comunidades
Redação SOS Brasília
Indígenas de diversas regiões do país desembarcaram em Brasília, nesta semana, para cobrar melhorias no atendimento de saúde, nas aldeias, durante a pandemia da Covid-19. Um grupo de lideranças relatou ao G1 que o cenário é de “crise” nas comunidades, com falta de pessoal, medicamentos e difícil acesso às vacinas. Representantes de aldeias de seis estados – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Amazonas e Maranhão – estiveram, nesta quinta-feira (25), no Ministério da Saúde. Os caciques queriam se reunir com um representante da pasta, no entanto, segundo eles, não foram atendidos.
A reivindicação por atendimento de saúde ocorre enquanto a contaminação avança nas comunidades. De acordo com o mais recente boletim epidemiológico da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), divulgado na quarta-feira (24), há atualmente 3.370 indígenas infectados no país. As lideranças criticam a gestão do secretário especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva e alegam falta de diálogo.
‘Sem vacina’
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Vanda Ortega, enfermeira indígena, é a primeira pessoa vacinada contra Covid no Amazonas. — Foto: Rede Amazônica
O cacique Raimundo Carlos da Silva Guajajara, da aldeia Belo Sonho Buritirana, de Grajaú (MA), criticou a distribuição de vacinas contra Covid-19. Ele diz que há dificuldade de conseguir “respostas” das autoridades e afirma que o grupo não vai sair de Brasília “até que o problema se resolva”.
Em nota publicada na quinta-feira passada, dia 18 de fevereiro, o governo do Maranhão reconhece que “entre os municípios que estão com baixa cobertura de vacinação estão aqueles que contam com grande concentração de indígenas”. No entanto, destaca que 2,3% deles se recusam a receber as doses por “desinformação”, por acreditar que supostos efeitos colaterais podem levar à morte. Ao G1, Raimundo Guajajara disse que os casos de recusa são minoria. “Pode até ser que esteja acontecendo, mas nós estamos aqui reivindicando o direito de quem quer vacinar e não tem vacina”.
De acordo com o mais recente boletim epidemiológico da Sesai, divulgado na quarta-feira (24), há atualmente 3.370 indígenas aldeados infectados no Brasil. Desde o início da pandemia, houve 43.434 casos da Covid-19 confirmados nas aldeias e 574 mortes.
O G1 questionou a Sesai sobre o total de indígenas já vacinados no país, mas não tivemos resposta até a publicação desta reportagem.
No DF, a Secretaria de Saúde afirmou que o público-alvo de indígenas seria de aproximadamente 300 pessoas. No entanto, até o último balanço – com dados até domingo (21) – 97 foram vacinados. Em nota ao G1, a pasta informou que a vacinação para este público “ainda está em andamento”.



