Dois tipos de Pancreatina estão esgotados nas prateleiras da Farmácia Central, o que compromete a qualidade de vida de mais de 500 pacientes
Muito além do desconforto respiratório e dos riscos de uma infecção pulmonar severa, os pacientes diagnosticados com a fibrose cística no Distrito Federal – muitos deles crianças – precisam conviver com a incerteza de os remédios que inibem o avanço dos sintomas serem fornecidos pela Secretaria de Saúde. Pelo menos dois medicamentos considerados importantes para o conforto dos doentes estão em falta e, portanto, deixaram de ser entregues a quem precisa.
Dois tipos de Pancreatina (uma de 150mg e outra de 300mg) estão esgotados nas prateleiras da Farmácia Central, responsável pela distribuição de medicamentos específicos. Mais de 524 pacientes estão cadastrados nos bancos de dados oficiais como dependentes de remédios para a enfermidade.
O desabastecimento ocorre dias após o fim de setembro, mês quando é realizada campanha representada pela cor roxa para alertar e conscientizar sobre os riscos da enfermidade. Também conhecida como “doença do beijo salgado”, a fibrose cística é considerada grave e pode levar à morte. Estima-se que 70 mil pessoas tenham a doença no mundo, o que a torna rara.
De origem genética e com transmissão de pais para filhos, o distúrbio causa o acúmulo de secreções densas e pegajosas nos pulmões, no trato digestivo e em outras áreas do corpo. Para se ter ideia, um paciente com esse mal produz o muco de 30 a 60 vezes mais espesso que o usual, o que acaba comprometendo órgãos considerados vitais.
Além disso, esse material orgânico quando muito concentrado leva ao acúmulo de bactérias e germes nas vias respiratórias, o que causa inchaço, inflamações e infecções, como pneumonia e bronquite. O muco também pode bloquear parte do sistema digestivo e o pâncreas, o que impede enzimas de chegarem ao intestino para a digestão.
Reposição de enzimas
Como o corpo humano necessita dessas substâncias para absolver nutrientes de alimentos, os pacientes de fibrose cística precisam repor essas enzimas por meio dos medicamentos tomados junto às refeições.
De acordo com a Secretaria de Saúde, ainda há nos estoques o medicamento Alfadornase na Farmácia Central, com cerca de 6 mil ampolas. Contudo, com relação à Pancreatina, a situação é diferente.
“A Pancreatina 150mg está indisponível devido a um revés na negociação por preço ocorrida no último pregão eletrônico aberto para a aquisição do medicamento. Com isso, o processo regular de aquisição retornou à fase de pregão eletrônico. Já a Pancreatina 300mg está em processo de compra por parte da SES/DF”, informou a pasta.
Fonte: Caio Barbieri – Metrópoles



