A categoria cobra reajuste salarial que cubra a inflação do último ano e a renovação do acordo coletivo vencido em julho. O sindicato afirma que a paralisação marcada para segunda-feira (28/9) só será suspensa se surgir uma proposta aceitável. Até agora, não há acordo, e a população deve se planejar.
Quem depende de ônibus no Distrito Federal tem motivo para acompanhar o noticiário neste fim de semana. Os rodoviários se reúnem em assembleia neste domingo (27/9) para organizar os detalhes de uma greve geral prevista para começar na segunda-feira (28/9). Por ora, trata-se de um alerta: a paralisação está marcada, mas ainda pode ser suspensa se a negociação entre a categoria e as empresas de transporte avançar nas próximas horas.
O quadro, até o momento, é de impasse. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, representantes das empresas participaram nesta semana de uma nova rodada de negociações, mas as partes não chegaram a um acordo definitivo. O diretor financeiro do sindicato, João Osório, confirmou ao Metrópoles que a greve permanece agendada. Na avaliação dele, a única possibilidade de mudança é o surgimento de uma proposta considerada aceitável pela categoria, algo que, segundo o dirigente, ainda não apareceu.
O que está em disputa
A negociação corre em duas frentes. A primeira é salarial: os rodoviários tentam desde julho um reajuste que reponha a inflação acumulada no período de um ano desde o último aumento concedido, de forma a garantir ganho real aos trabalhadores. A segunda é a renovação do acordo coletivo da categoria, que expirou em 30 de julho. É esse documento que assegura uma série de condições e benefícios, como a jornada de seis horas corridas, tíquete e cesta-alimentação e planos de saúde e odontológico. Sem a renovação, a categoria trabalha sob a insegurança de um acordo vencido.
A pauta expõe a rotina pesada de quem opera o transporte público da capital. Motoristas e cobradores começam o dia de madrugada para colocar a frota na rua antes do amanhecer e sustentam a mobilidade de uma região em que boa parte da população mora longe do local de trabalho.
O tema entrou na campanha
A oito dias do primeiro turno das eleições, o assunto já aparece no discurso político. Durante agenda de campanha na Vila Planalto, na sexta-feira (25/9), a governadora Celina Leão, que disputa a reeleição, defendeu que os rodoviários merecem reajuste e lembrou que a categoria acorda às 3h da manhã. Ao mesmo tempo, afastou o Governo do DF da mesa de negociação: na visão dela, a discussão é entre patrão e empregado, e o GDF não deve ficar no meio dela.
O que esperar dos próximos dias
Uma paralisação geral em dia útil afetaria diretamente a rotina de milhares de passageiros que dependem dos ônibus para trabalhar e estudar, sobretudo quem mora nas regiões administrativas mais distantes do Plano Piloto. Por isso, a assembleia de domingo é o momento decisivo: será ali que a categoria consolida a estratégia para segunda-feira, define o formato do movimento e discute as condições sob as quais aceitaria recuar.
Até lá, segue aberta a janela de negociação. Se as empresas apresentarem uma proposta que o sindicato considere aceitável, a greve pode ser suspensa antes mesmo de começar. Caso contrário, o cenário mais provável é de ônibus parados na manhã de segunda-feira, e a recomendação é que o passageiro busque alternativas de deslocamento e acompanhe as atualizações.
O SOS BRASÍLIA segue acompanhando o desfecho da assembleia e da negociação e atualiza esta matéria assim que houver novidades.
Por Rodrigo Albuquerque



