Título foi anunciado durante reunião da UCCI e reforça papel da capital brasileira na preservação do patrimônio urbano e arquitetônico
Da Redação
Brasília foi oficialmente reconhecida como Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural 2026 durante a abertura da segunda reunião do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI). O encontro ocorreu no Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, e reuniu representantes de capitais da América Latina, do Caribe e da Península Ibérica para debater políticas de preservação e gestão do patrimônio cultural.
O reconhecimento destaca a importância histórica e urbanística da capital federal, conhecida internacionalmente por seu conjunto arquitetônico modernista e pelo planejamento urbano idealizado por Lúcio Costa, com obras marcantes do arquiteto Oscar Niemeyer. Desde 1987, Brasília é reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Durante a cerimônia, autoridades ressaltaram que o título reforça o papel da capital brasileira como referência internacional na preservação do patrimônio urbano e cultural. O secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal, Paco Britto, afirmou que discutir patrimônio cultural também envolve refletir sobre planejamento urbano, sustentabilidade e identidade coletiva. Segundo ele, mesmo sendo uma cidade relativamente jovem, Brasília já carrega uma responsabilidade histórica de alcance global.
A diretora-geral da UCCI, Luciana Binaghi Getar, destacou que preservar um patrimônio como o da capital brasileira exige planejamento estratégico, cooperação institucional e compromisso político contínuo. Para ela, o encontro entre as cidades participantes fortalece o intercâmbio de experiências e contribui para aprimorar as políticas públicas voltadas à preservação cultural.
Representantes do governo local também mencionaram iniciativas recentes voltadas à conservação de espaços simbólicos da cidade. Entre elas estão a reabertura do Teatro Nacional Claudio Santoro, intervenções no Museu Nacional da República e um convênio firmado com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para restaurar a Praça dos Três Poderes. Além das obras, programas educativos buscam aproximar estudantes e moradores de espaços históricos da capital.
Especialistas ressaltam que a preservação do conjunto urbanístico de Brasília está diretamente ligada à qualidade de vida da população. O projeto modernista priorizou o equilíbrio entre áreas construídas e espaços livres, além de soluções arquitetônicas adaptadas ao clima do Planalto Central, como ventilação cruzada, iluminação natural e áreas públicas sob pilotis.
A reunião do comitê segue até sexta-feira (13) e deve resultar em uma carta de compromisso entre as cidades participantes, com diretrizes voltadas à preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural nas capitais ibero-americanas.



