Grupo foi encontrado por volta das 10h desta terça (22). Guias locais e bombeiros de Goiás trabalharam no resgate.
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O grupo de cinco turistas que desapareceu na Chapada dos Veadeiros (GO) no último sábado (19) e foi encontrado por volta das 10h desta terça-feira (22) havia se aventurado em uma trilha de cerca de 30 quilômetros sem guia. Pelo menos três deles são de Brasília, de acordo com os bombeiros.
O grupo partiu de Alto Paraíso, começando pelo Sertão Zen em direção à Cachoeira do Dragão – aberta para visitação há cerca de dois anos, dentro de uma propriedade privada. Considerado perigoso, o local só permite turistas acompanhados por guias.
Os trilheiros são Mauro César, Aline Ferreira, Juliana Silva, Gustavo Bacelar e Cássia Sanches. A filha de Cássia disse à TV Globo que a mãe faz trilha “todo fim de semana”, conhece bem a região e que, pelo menos, três pessoas do grupo são experientes. Um dos homens é fuzileiro naval.
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Entre os guias do Grupo Voluntário de Busca e Salvamento (GVBS), que auxiliou o Corpo de Bombeiros de Goiás, o brasiliense Rodney Silveira contou ao G1 que logo na segunda (21), quando o desaparecimento foi registrado, pelo menos sete guias se dedicaram exclusivamente às buscas – das 15h à meia-noite.
“Foram quase 10 horas de caminhada do Sertão Zen até a Cachoeira do Macacão, onde encontramos os bombeiros. E nenhum vestígio: nem comida, nem roupa, nem pegada, porque choveu ontem pela manhã”, disse.
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O guia disse, ainda, que um incêndio recente na área tornou ainda mais difícil encontrar rastros do grupo. “Ontem nós vimos um fogo sinistro pegando perto do estacionamento do Macacão e Macaquinho. Então, não tem como saber o que aconteceu, porque o fogo apagou todas as trilhas.”
“A gente mesmo, que é guia, nem estava andando nas trilhas, porque o cenário mudou todo.”
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Por volta das 9h desta terça (22), 21 bombeiros e cerca de cinco guias voltaram à trilha. Desta vez, porém, com o reforço de quatro cães, um helicóptero e um drone.
Comandante da operação do Corpo de Bombeiros, o tenente Paulo Santos disse à reportagem que a informação mais recente sobre os turistas era de que eles haviam sido vistos no sábado à tarde próximo à Cachoeira do Macacão.
“Um rapaz disse que viu o grupo, que alertou que a trilha até o Dragão era difícil, mas que um deles era cabo da marinha e tinha curso de sobrevivência. Muito provavelmente, era quem estava conduzindo o grupo.”
Trilha sem guia
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Segundo a geógrafa e auxiliar de gerente na Cachoeira do Dragão, Anaís Pinheiro Machado, o “rapaz” mencionado pelo tenente Paulo Santos é o proprietário do terreno onde fica o Macacão, que teria surpreendido o grupo.
“Ele teve que descer na cachoeira para ver quem era”, disse ao G1. “O grupo não passou pela entrada principal, onde cobram a taxa.”
Ela participou das buscas desde o princípio e disse à reportagem que alguns integrantes do grupo são figuras conhecidas por guias locais. “Não é a primeira vez que isso acontece este ano. Pelo menos dois integrantes deste mesmo grupo já estiveram perdidos por aqui outras vezes.”
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Segundo Anaís, os turistas haviam contratado um guia e marcado de se encontrar com ele por volta das 8h de domingo (20) no estacionamento do Dragão. Caso contrário, não seriam autorizados a entrar na cachoeira. “Mas o guia ficou esperando por eles até as 10h”, disse a geógrafa.
Os bombeiros disseram ao G1 que os turistas foram efetivamente encontrados no alto de uma serra próximo à Cachoeira do Dragão. O caseiro do terreno foi quem acionou os militares, depois de ouvir o grupo gritar por socorro.
Eles foram resgatados por um helicóptero, por meio de rapel. Segundo os bombeiros, os turistas estavam conscientes e orientados.
Para fazer com guia
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Como em boa parte das trilhas pela Chapada dos Veadeiros, o sinal de internet e telefone não costuma pegar no caminho pelo Sertão Zen até a Cachoeira do Dragão. Além disso, quem se aventura no Cerrado fica sujeito a alguns riscos que o próprio ambiente oferece.
“São locais de difícil resgate e, geralmente, sem sinal. Então, a galera que usa aplicativo pode acabar se perdendo”, explica o guia Rodney Silveira. “Se alguém se machuca, cai de uma pedra, escorrega, toma picada de cobra, bate a cabeça, o socorro é mais difícil.”
“Além disso, se perder nas trilhas é muito fácil para quem não está com guia.”
A geógrafa Anaís Machado alerta para a seriedade do que pode parecer um simples passeio na natureza. “Fazer trilha na Chapada dos Veadeiros é muito sério. Além do risco de vida, desrespeitar as propriedades privadas e as regras de segurança pode colocar em xeque o trabalho de anos de guias que se esforçaram para abrir essas trilhas.”
Fonte: Luiza Garonce, G1 DF




