Linha Amarela: prefeitura volta a interromper cobrança de pedágio e retira cancelas

Foto: Lívia Torres/TV Globo

Agentes chegaram no fim da noite e liberaram passagem de motoristas, horas após a Câmara aprovar e Crivella sancionar lei que permite à prefeitura reassumir a via expressa. Em nota, a Lamsa criticou ação que diz desacatar decisão judicial.

Prefeitura do Rio libera cancelas do pedágio da linha amarela
Prefeitura do Rio libera cancelas do pedágio da linha amarela

Agentes da prefeitura do Rio retiraram, por volta das 23h desta terça-feira (5), as cancelas e interromperam a cobrança de pedágio na Linha Amarela. Motoristas foram liberados a passar sem pagar pela via, uma das principais ligações entre as zonas Norte e Oeste da cidade.

Esta é a segunda vez em 10 dias que a prefeitura libera o pedágio. Na primeira, no dia 27, funcionários a serviço do prefeito Marcelo Crivella destruíram as cabines, causando um prejuízo de R$ 3 milhões, segundo a Lamsa. Nesta terça, não houve depredação.

A nova ação da prefeitura ocorre no dia em que um projeto de lei que permite que a concessão via seja retomada pelo município foi aprovado na Câmara Municipal, por unanimidade, e logo depois sancionado pelo prefeito.

Agentes da Secretaria Municipal de Transportes, CET-Rio, Rioluz e Comlurb foram acompanhadas por Sebastião Bruno, secretário de Infraestrutura e Habitação. O secretário se recusou a falar com a TV Globo, e a Guarda Municipal fez uma barreira em volta dele para evitar a aproximação da equipe de reportagem.

Até a última atualização desta reportagem, a prefeitura não havia se pronunciado.

A concessionária Lamsa acusa Crivella de “afrontar o Poder Judiciário”. Isto porque a Lamsa conseguiu na Justiça uma liminar impedindo a retomada da via expressa sem que haja um processo administrativo e o pagamento de indenização. Segundo a Lamsa, a liminar se sobrepõe à lei aprovada na Câmara.

“A Lamsa lamenta e repudia de forma veemente a conduta autoritária do prefeito, que, ao invés de cumprir a decisão judicial e apresentar recurso legal, ataca de forma irresponsável e nunca vista na história das relações entre o poder público e a iniciativa privada uma concessão de serviço público legalmente constituída. A concessionária buscará na Justiça a preservação dos seus direitos, violentados mais uma vez pelo prefeito”, diz a nota enviada pela concessionária.

Agentes da prefeitura liberaram o pedágio na Linha Amarela — Foto: Lívia Torres/TV Globo
Agentes da prefeitura liberaram o pedágio na Linha Amarela — Foto: Lívia Torres/TV Globo

Crivella x Lamsa

A disputa entre Crivella e a concessionária, que assumiu a via em 1998, foi iniciada no ano passado. O prefeito alega que a Lamsa cobra mais caro pelo pedágio do que deveria.

Também segundo a prefeitura, a concessionária, após um aditivo no contrato em 2011, causou prejuízo de R$ 250 milhões para o Erário, com obras que teriam sido superfaturadas.

No último dia 24, uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara dos Vereadores apontou lucro indevido de R$ 1,6 bilhão na concessão. Dois dias depoios, Crivella determinou o fim da concessão, dando início a uma batalha de decisões judiciais (entenda abaixo).

Cronologia da disputa

  • Quinta, 24: CPI da Câmara aponta lucro indevido de R$ 1,6 bilhão para a concessionária no pedágio da Linha Amarela.
  • Sexta, 25: o prefeito Marcelo Crivella anuncia o fim da concessão.
  • Domingo, 27: Crivella comanda a destruição das cabines de pedágio.
  • Segunda, 28 (madrugada): o Plantão Judiciário atende a um pedido da Lamsa e manda interromper a destruição – que já tinha terminado -, restabelece a concessão e determina a volta do pedágio
  • Segunda, 28 (manhã): a empresa afirma não ter condições de cobrar com a praça destruída e convoca 100 funcionários de todo o país para um mutirão.
  • Terça, 29: a prefeitura envia à Câmara o projeto para assumir o controle da Linha Amarela.
  • Quinta, 31: estudo da Prefeitura sugere que pedágio de R$ 2 em sentido único como suficiente para garantir a manutenção da via.
  • Quinta, 31: a Lamsa vai à Justiça para impedir que a via seja encampada sem que haja um processo e o pagamento de indenização à concessionária.
  • Sexta, 1º (madrugada): o pedágio volta a ser cobrado no sentido Barra.
  • Sexta, 1º (tarde): a Câmara aprova a encampação em primeira discussão por 43 a zero.
  • Sexta, 1º (noite): a Justiça volta a dar ganho de causa à Lamsa e proíbe a encampação. A prefeitura contesta e afirma que, quando a Câmara terminar de aprovar seu projeto, terá direito de retomar a via.
  • Sábado, 2: um protesto fecha a via. Motoristas passam sem pagar pelo pedágio por uma hora. Marcelo Hodge, filho de Crivella, e membros do alto escalão da prefeitura participam do ato.
  • Domingo, 3: o pedágio volta a ser cobrado no sentido Fundão.
  • Segunda, 4: decreto de Crivella cria grupo de trabalho para detalhar como será a encampação e dá 20 dias de prazo.
  • Segunda, 4: vereadores aprovam emendas ao projeto que pode dar controle da via para a Prefeitura.
  • Terça, 5 (tarde): vereadores aprovam projeto de lei e Crivella sanciona.
  • Terça, 5 (noite): agentes da prefeitura liberam o pedágio e retiram cancelas.

Fonte: Lívia Torres, G1 Rio

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