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O mundo pós-humano de Harari

 

O êxito antecipado se deve a dois ensaios de sua autoria que se tornaram sucessos internacionais e cujos títulos dão a medida da sua ambição: “Sapiens — uma breve história da humanidade” (2011) e “Homo Deus — uma breve história do amanhã” (2016). O primeiro explica como um simples macaco dominou o mundo em dez milênios. Um de seus argumentos é o de que a civilização e a escrita não surgiram da agricultura, mas da prática religiosa. O segundo viaja ao futuro para demonstrar que os seres humanos irão se tornar deuses e controlar a natureza e a consciência — até serem controlados por algoritmos.

Manipulação

Uma das ideias de Harari que escandalizaram a comunidade científica é a demonstração de que o cérebro pode ser preservado a partir de implantes em outros organismos, não necessariamente orgânicos. O neurocientista português António Damásio qualificou Harari como um filósofo “pós-humanista”, porque sustenta uma “interpretação algorítmica da humanidade” e elabora uma visão mecanicista da evolução.

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O novo livro fecha o ciclo ao abordar o presente. Harari confronta seus críticos expondo ideias para salvar o homem da completa desumanização. Segundo ele, é preciso se livrar da estupidez em que está mergulhado, reunir as aquisições científicas e filosóficas válidas e se preparar para mudanças que podem em breve causar a perda da própria noção de humanidade.
Segundo ele, o fundamento ético humanista no qual o mundo se apoiou no século XX foi abalado pela queda de seus três grandes sistemas políticos e econômicos. Fascismo, comunismo e, finalmente, democracia liberal foram substituídos por movimentos xenófobos, o nacionalismo de Vladimir Putin e o conservadorismo isolacionista de Donald Trump. Mesmo aqueles que se exibem como gurus perdem a credibilidade num instante. É o caso de Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, que pregou a restauração das comunidades por meio das redes sociais, mas em seguida foi

Harari oferece dicas para neutralizar a estupidez. A mais útil é cultivar a clareza de pensamento para compreender o significado
de eventos como a desilusão política, o pânico social e as perturbações tecnológicas. “Clareza é poder”, diz. O problema é que os dispositivos de Inteligência Artificial estão aprendendo a ser mais lúcidos que os seres humanos.

 

PERTURBAÇÃO Passeata neonazista na Alemanha, nacionalismo de Vladimir Putin, autocracia de Donald Trump e defesa de Mark Zuckerberg no Congresso americano sobre a venda de dados de assinantes: fatos que geram descrença na política global

 

Assim, decepcionado, o Homo sapiens se torna quase incapaz de dar sentido ao mundo que criou, sem distinguir realidade de ficção. “Vivemos a era da perplexidade”, afirma Harari. “Ao mesmo tempo que as pessoas perdem a fé na política global, a fusão da biotecnologia e da tecnologia da informação nos coloca diante das maiores mudanças com que o gênero humano
já se deparou.”

 

 


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