O partido que comandou o país por 30 anos se define hoje por dois Josés: Abreu e Dirceu
Diretório do PT em São Paulo
Estadão Conteúdo
Neste fim de semana, o PT (Partido dos Trabalhadores) comemora seu aniversário de quarenta anos com três noites de festa no Rio de Janeiro. Estarão presentes os mesmos líderes que o partido tinha na metade dos anos oitenta: Lula e José Dirceu. Outros tantos que floresceram nas duas décadas seguintes não participarão das comemorações. Uns estão na cadeia, outros se tornaram tóxicos demais para o palanque.
A figura que não pode faltar – e que simboliza muito bem o momento do partido – é o ator José de Abreu. Conhecido por se autoproclamar, à maneira do deputado venezuelano Juan Guaidó, presidente do Brasil, Abreu é o petista que chama a atenção pelo humor (nem sempre de bom caráter). Opina sobre políticas públicas sem medo de entristecer estudiosos. Suas posições são registradas pela mídia. Viraliza. José de Abreu é o lulismo dos memes. (As figurinhas no whatsapp ainda são dominadas por Lula.)
José Dirceu, um dos líderes políticos mais bem-sucedidos do Brasil após 1988, não é conhecido pelo bom humor. Gosta de comer e beber bem, como Daniela Pinheiro registrou em célebre perfil do ex-deputado na revista piauí anos atrás. (Alguém não gosta de comer e beber com luxo? Bem, nem todos se juntam ao Centrão corrupto para isso.) Muito mais fraco politicamente do que antes de ser preso, Dirceu é o único líder real do partido fora Lula. Foi o organizador das derrotas e vitórias do ex-presidente de 1994 a 2010. É o lulismo tático, com pitadas de Lênin.
Petistas históricos e bem-informados desprezam Abreu e veneram Dirceu. O problema é que hoje o segundo precisa mais do primeiro (e o que ele representa) do que contrário.
E Lula?
Nunca se sabe.
*Sérgio Praça é Professor e pesquisador da Escola de Ciências Sociais (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Graduado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, realizou mestrado e doutorado em Ciência Política na Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela FGV EAESP.
Seus trabalhos acadêmicos já foram publicados pelas revistas acadêmicas Governance, Latin American Politics and Society, Journal of Politics in Latin America, Latin American Research Review, Brazilian Political Science Review, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Novos Estudos Cebrap e Opinião Pública, entre outras.
Publicou, entre outros, os livros “Guerra à Corrupção: Lições da Lava Jato” (Ed. Évora, 2017) e “Corrupção e Reforma Orçamentária no Brasil, 1987-2008” (Ed. Annablume, 2013).
É colunista do site da revista Exame e foi colunista do site da revista Veja de 2015 a 2019.
Fonte: R7



