Remédios baricitinibe e paxlovid são alternativas para tratamento hospitalar e domiciliar contra o coronavírus
O Brasil ganhou, na semana que passou, novas ferramentas para o enfrentamento da crise sanitária causada pelo vírus da Covid-19. Dois remédios para tratamento da doença foram aprovados por órgãos de saúde brasileiros: baricitinibe e paxlovid.
As autorizações ocorrem no mesmo período em que o país passa por nova fase da crise sanitária, com a flexibilização de medidas restritivas e a redução de casos e óbitos motivados pelo coronavírus.
Na sexta-feira (1º/4), o Ministério da Saúde incluiu o medicamento baricitinibe no rol do Sistema Único de Saúde (SUS). O remédio, fabricado pela empresa Eli Lilly do Brasil Ltda., já tinha registro no Brasil para o tratamento de outras doenças, como artrite e dermatite.
Além disso, na quarta-feira (30/3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso temporário e emergencial do antiviral Paxlovid, produzido pela farmacêutica Pfizer.
O médico infectologista Victor Bertollo avalia que a introdução dos remédios ao sistema brasileiro de saúde é bastante animadora, especialmente para tratar pessoas que fazem parte de grupos de risco.
Bertollo também ressalta a possibilidade de surgimento de novas variantes da Covid-19 que sejam resistentes às vacinas. Nesses cenários, a existência de tratamentos medicamentosos é muito importante. “É fundamental a disponibilidade deles como estratégia adicional para controle da Covid”, pontua o infectologista.
Tratamento hospitalar
O baricitinibe foi o primeiro medicamento incluído no SUS para o tratamento da Covid. O remédio deve ser utilizado por adultos hospitalizados que precisam de oxigênio por máscara ou cateter nasal.
Estudos analisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) apontam que o uso da substância pode contribuir para “redução significativa de mortes” por adultos hospitalizados.
Tratamento domiciliar
Aprovado pela Anvisa na última quarta-feira, o antiviral paxlovid deve ser utilizado em domicílio, por adultos que não necessitam de oxigênio suplementar, sob exigência de receita e prescrição médica.
De acordo com a fabricante Pfizer, a pílula antiviral tem 89% de eficácia na prevenção de hospitalizações e mortes de pacientes contaminados pelo novo coronavírus.
O medicamento deve ser tomado por cinco dias, logo após os primeiros sintomas da doença e resultado positivo para o exame de Covid. O efeito da pílula bloqueia a replicação do vírus e impede a evolução da Covid-19 para quadros graves.
Outras alternativas
Além do baricitinibe e do paxlovid, há mais opções de medicamentos utilizados no tratamento contra Covid ao redor do mundo.
A Anvisa já aprovou outros medicamentos que podem ser utilizados: Evusheld (profilático produzido pela AstraZeneca para população imunocomprometida), Sotrovimabe e Regkirona ou Regdanvimabe (anticorpos monoclonais com uso restrito a hospitais para evitar casos graves).
O uso dos fármacos, no entanto, ainda não foi autorizado pela Conitec. “A tendência é que, quanto mais ofertas tivermos, mais amplamente disponíveis esses medicamentos sejam. E isso nos dá uma segurança maior para cenários futuros da pandemia”, salienta Bertollo.
Outro lado
A Eli Lilly do Brasil Ltda. informou que ainda não foi procurada pelo Ministério da Saúde para negociar a venda do baricitinibe especificamente para indicação de Covid.
A empresa destacou, contudo, que o medicamento já é adquirido pelo Ministério da Saúde desde setembro de 2021 para tratar pacientes com artrite reumatoide no SUS. O contrato com o governo federal prevê entrega de 530 mil comprimidos — 400 mil já chegaram a território brasileiro, em três parcelas.
*Com informações do Portal Metrópoles



